PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 01 (AE) - Os juros das operações de overnight lastreadas em títulos públicos subiram hoje mais dois pontos percentuais, passando de 37% para 39% ao ano. Foi a sexta alta promovida pelo Banco Central (BC) desde a mudança na política cambial, em meados de janeiro, para conter as pressões inflacionárias e tentar reduzir os desequilíbrios causados no real com a desvalorização excessiva da moeda ante o dólar.
Até hoje, as taxas do over - que servem de referência para as demais operações financeiras - subiram dez pontos percentuais e podem alcançar a Taxa de Assistência do Banco Central (Tban) - teto dos juros básicos da economia, atualmente em 41% ao ano - já amanhã. Com essa possibilidade, houve expectativas entre analistas sobre a realização de uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) esta semana, alterando o piso e o teto dos juros.
É consenso entre executivos financeiros que a alta dos juros na última semana, incluindo a de hoje, contribuiu para a queda na cotação do dólar. Mas não foi o único motivo e, talvez, nem o mais importante para, por exemplo, estimular o fechamento de câmbio por parte dos exportadores ou evitar que bancos mantenham dólares em carteira. "A oscilação do dólar foi tão violenta que uma alta de cinco pontos percentuais nas taxas de juros não faz muita diferença para o exportador", analisa o diretor da distribuidora Linear, Renato Soriano.
O medo de fechar o câmbio num dia e o dólar subir no seguinte era grande e, sem a instabilidade da semana passada, a tendência é que as operações sejam retomadas. Apesar da alta no curto prazo, na Bolsa de Mercadorias & Futuros os juros recuaram. Nos contratos a vencer em março, a taxa caiu de 63,04% ao ano, na sexta-feira, para cerca de 52,28% hoje.


