Washington, 01 (AE-DOW JONES) - O governo dos Estados Unidos divulgou nesta segunda-feira (01) a previsão do orçamento da administração de Bill Clinton para o ano 2000, com um panorama de menor crescimento, maior inflação e taxas de juro essencialmente estáveis.
De acordo com a previsão de orçamento divulgada hoje, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá ter crescimento de 2,4%, comparado a 3,9% em 1998. O índice de preços ao consumidor deve subir 2,2%, superando o índice de 1,6% em 1998, e o desemprego deve ficar em 4,8%, superando os 4,5% do ano passado.
O orçamento, com gastos totais de US$ 1,77 trilhão, prevê ainda investimentos maiores em defesa, educação e saúde, além de superávits fiscais durante a próxima década.
O orçamento, referente ao ano fiscal a partir de 1º de outubro
abrirá espaço para uma batalha entre o governo e os republicanos a respeito do destino do superávit de US$ 117,3 bilhões, previsto para 2000, que deverá acumular até US$ 2,41 trilhões durante a próxima década.
O projeto de gastos de Clinton ignora a reivindicação dos republicanos por uma ampla redução de impostos e prefere oferecer isenções fiscais localizadas para ajudar, por exemplo, pessoas que cuidam de idosos, de doentes, ou de parentes que não podem trabalhar.
Se a previsão do orçamento for realmente confirmada, será o terceiro ano consecutivo de superávit fiscal nos Estados Unidos, depois de 28 anos de déficits. O governo atingiu o superávit em 1998, de US$ 69,2 bilhões, e prevê um saldo positivo de US$ 79,3 bilhões em 1999.
A manutenção dos superávits é consequência de pacotes de redução do déficit, aplicados em 1990, 1993 e 1997, de um crescimento acelerado da economia e de uma grande elevação na arrecadação, que analistas de dentro e de fora do governo têm dificuldade em explicar.
"Por muitos anos, o déficit nos assombrou, uma poderosa lembrança da inabilidade do governo em fazer negócios", disse Clinton no comunicado que divulgou para acompanhar o orçamento.
No discurso feito em 19 de janeiro, Clinton expôs um programa detalhado para gastar os superávits de US$ 4,47 trilhões que o governo espera alcançar nos próximos 15 anos.
De acordo com o plano, cerca de 62% do valor seria gasto para enriquecer a seguridade social, 15% seria investido em programas de saúde, 12% em "contas de poupança universais" e 11% em prioridades, como educação, pesquisa e defesa.
Renda e consumo - Os gastos dos consumidores ultrapassaram o aumento da renda em dezembro, com o índice de gastos com consumo subindo 0,8% e a renda pessoal aumentando 0,5%, de acordo com dados divulgados hoje pelo Departamento do Comércio dos EUA.
A taxa de poupança pessoal, que consiste da renda pessoal dispensável menos os gastos pessoais, , ficou negativa pela segunda vez em três meses, caindo para -0,1%, de +0,1% em novembro. Isso deixou a taxa de poupança pessoal a apenas 0,5%, a menor desde os -2,1%, registrados em 1933, ainda em plena depressão.
Os números ficaram próximos das expectativas de Wall Street. Uma pesquisa da Dow Jones/CNBC apontava para aumento de 0,6% na renda pessoal e de 0,7% nos gastos com consumo.

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