Brasília, 01 (AE) - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não vai alterar as metas contratuais estabelecidas para as empresas do setor em razão da desvalorização do real e da perspectiva de aumento da inflação e da redução da atividade econômica nos próximos meses. As empresas privatizadas se comprometeram a ter instalados 33 milhões de aparelhos telefônicos fixos até dezembro de 2001, ou seja, 10 milhões de linhas a mais que o número existente em dezembro de 1998.
"Se o Brasil tivesse hoje 33 milhões de linhas telefônicas, haveria demanda suficiente para absorvê-las", disse hoje o vice-presidente da Anatel, Luiz Francisco Perrone. Segundo ele, mesmo que o Brasil tenha uma economia estagnada ou reduzida nos próximos anos, continuará havendo fila e demanda por telefones, o que justifica economicamente investimentos privados. "Não tenho dúvidas que as metas físicas que colocamos para 2001 atenderiam ao mercado brasileiro hoje", afirmou.
"A crise econômica não é justificativa para rever estas metas", disse Perrone. Desde as mudanças no câmbio, que levaram à desvalorização do real, vários empresários do setor passaram a prever dificuldades para atender as metas de qualidade e de universalização estabelecidas nos contratos de concessão. Alguns empresários argumentam que o aumento da inflação e a queda na atividade econômica significará redução no ritmo de crescimento do setor e afetará a receita das empresas.
De acordo com o Plano de Metas de Universalização, aprovado em maio do ano passado, em dezembro deste ano deverão estar instalados 25,1 milhões de linhas telefônicas fixas no País. Segundo Perrone, hoje já estão instalados 23 milhões de linhas. Em dezembro do ano 2000 serão 29 milhões de linhas e em 2001 deverão estar funcionando 33 milhões de linhas.
A Anatel considera que as metas de qualidade impostas às empresas de telecomunicações também são fundamentais para aumentar a receita das operadoras. "Na hora em que se tem uma qualidade melhor, mais chamadas são completadas, o que é ganho para as empresas", explicou Perrone.
O vice-presidente da Anatel também argumentou que as despesas das empresas não são feitas apenas em investimentos em equipamentos, que são importados ou têm boa parte de seus componentes adquiridos fora. "A maior parte das despesas são feitas em real e a receita destas empresas também é feita em moeda nacional", disse Perrone.

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