São Paulo, 01 (AE) - O diretor de análise de investimentos do banco Fator, Sidnei Chameh, disse hoje que a proposta do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), de ampliação do programa de desestatização do governo federal, precisa ser combinada com a redução de juros para assegurar que não haja um "queima de ativos". Segundo Chameh, o anúncio da privatização de novas estatais - como a BR Distribuidora, sugerida por Bornhausen - teria impacto positivo na avaliação que o mercado internacional faz do Brasil.
"O impacto positivo pode ser diluído se não houver medidas que apóiem a privatização", ressalvou o analista. "O governo pode fazer o anúncio da privatização, mas tem que continuar no esforço fiscal", acrescentou. "Não adianta sinalizar com mais privatização e manter as taxas de juros elevadas".
Chameh avalia que o novo Congresso traz condições políticas para a privatização da Petrobrás, que poderia acontecer no terceiro ano de governo. A curto prazo, o analista acredita que possam ser ofertados os 31% de ações ordinárias que excedem o controle da União.
Diante da segunda-feira tranquila nos mercados, Chameh disse que será preciso aguardar se o Congresso confirma a autoconvocação e a tramitação da nova CPMF e se o Fundo Monetário Internacional (FMI) dá sinais positivos de que as demais parcelas do pacote de ajuda serão liberadas. "O mercado vai continuar muito volátil", disse. "Se na sexta-feira tivemos visibilidade de cinco metros, hoje temos de 30 metros, mas não temos ainda céu de brigadeiro, que pode mesmo não acontecer", comentou.

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