São Paulo, 01 (AE) - Uma assembléia festiva no pátio da Ford decidiu por mais um dia de paralisação da fábrica de São Bernardo do Campo, em São Paulo, há 47 dias sem produzir. A meio caminho de um acordo com a montadora sobre as 2,8 mil demissões, o correspondente a 41% do efetivo, sindicalistas decidiram propor que, em vez de ocupar a fábrica, o total de seis mil empregados e demitidos voltasse para suas casas. A montadora convocou nova negociação para o final da tarde de hoje.
Ninguém entrou na fábrica e o piquete em frente às catracas, formado por esposas e filhos dos demitidos, teve caráter simbólico. O clima dessa que foi a primeira assembléia depois de dez dias de licença remunerada (providência da Ford para esvaziar o movimento diário de ocupação da fábrica, iniciado no dia 4 de janeiro) foi de otimismo.
O escritor e religioso Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Beto, rezou com os trabalhadores e anunciou a proximidade da vitória. O presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, contou que foi chamado para uma negociação secreta no final de semana e que diante das conversas via como cada vez mais possível falar em suspensão das demissões. Vicentinho informou que negociou com o presidente da Ford para a América do Sul, Martin Inglis.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho
afirmou que propôs para a montadora abertura de pacote de demissões voluntárias por 15 dias, tempo necessário para que o projeto de emergência para escoar os estoques de veículos seja aprovado pelos governo federal e estaduais. Marinho disse acreditar que diante de uma nova perspectiva de mercado - com redução do IPI e do ICMS dos carros - a Ford ficaria mais propensa a aceitar soluções propostas pelo sindicato para o pessoal excedente.

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