Davos, Suíça, 01 (AE) - Os desembolsos do financiamento ao Brasil poderão seguir o cronograma original do acordo com o Fundo Monetário Internacional, disse hoje o diretor de Pesquisa da instituição, o economista Michael Mussa. Em princípio, o próximo desembolso deveria ser de US$ 9 bilhões, mas o valor, segundo o funcionário, poderá ser revisto de acordo com as novas circunstâncias.
A liberação do dinheiro foi condicionada, no acordo assinado em 1998, ao resultado da primeira avaliação de desempenho, marcada para o final de fevereiro. A revisão deverá ocorrer mais ou menos na mesma época, segundo Mussa, mas com inclusão do relatório da equipe enviada ao Brasil, depois da mudança cambial
para rever as estimativas.
Como as medidas de ajuste fiscal foram, na maior parte, aprovadas pelo Congresso, a revisão deverá cobrir principalmente as metas da política monetária, segundo Mussa. Também será preciso, acrescentou, estimar o impacto da nova taxa de câmbio e do aumento de juros nas contas do governo. O acordo, portanto, será apenas parcialmente remontado. O valor total do financiamento, cerca de US$ 41 bilhões, deverá ser mantido, afirmou Mussa.
O programa atualizado deverá incluir uma reestimativa da inflação, para cima, e uma redução do déficit em conta-corrente. Como a depreciação do real foi muito grande, haverá, provavelmente, uma revalorização parcial. Mas ainda sobrará uma desvalorização suficiente para permitir uma substancial melhora das exportações e uma diminuição do déficit externo, segundo Mussa. No programa assinado em 1998, estava previsto um ajuste cambial de certa de 7% em 1999 e um déficit em conta corrente de cerca de US$ 2 bilhões - US$ 10 bilhões abaixo, aproximadamente, do registrado em 1998.

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