Lopes diz que taxa de câmbio é exagerada Por Vânia Cristino
Brasília, 29 (AE) - A cotação do dólar hoje no mercado, que chegou a R$ 2,15, não tirou a tranquilidade do presidente do Banco Central, Francisco Lopes. De acordo com ele a desvalorização exagerada do real já era esperada pelo BC. Ele explicou que a sexta-feira foi justamente o dia em que os agentes financeiros especularam mais porque era o dia de formação da taxa média do câmbio no mês, que será usada na liquidação dos contratos de câmbio futuro, que vencem na segunda-feira. "A taxa deve ter sido um pouco exagerada, mais isso é o mercado que vai determinar", declarou.
Num dia de intensos boatos, inclusive com correria de clientes aos bancos, o presidente do Banco Central fez questão de desmentir qualquer possibilidade de reestruturação da dívida interna ou centralização de câmbio. Ele também afirmou desconhecer a existência de um novo pacote fiscal. "Este País tem um governo sério, empenhado em políticas corretas", declarou. Francisco Lopes lamentou que as pessoas estejam em pânico. Ele admitiu que a transição é desconfortável, mas que logo as pessoas sentirão o ganho qualitativo da mudança no regime cambial.
Segundo Francisco Lopes, nesse momento de transição até mesmo os formadores de opinião estão confusos e fazendo a conta errada. Ele explicou que o Brasil, mesmo nos piores momentos da escalada da inflação, nunca teve problemas para rolar a dívida interna. A explicação para ele é bastente simples: a dívida interna é comprada pelos bancos que captam, para isso, depósitos junto ao público para aplicação em títulos. "A rolagem da dívida só deixaria de acontecer se houvesse um colapso do sistema bancário", declarou Lopes.
O comprometimento da capacidade do governo de pagar a sua dívida por causa da recente elevação das taxas de juros também é contestada pelo presidente do Banco Central. De acordo com Lopes o mercado está confundindo taxa de juros nominais, de curto prazo, com taxa real. Com a livre flutuação ele garantiu que os juros reais, antes fixados em 20% no plano fiscal anterior, serão bem menores. Com isso, de acordo com o presidente do BC, o governo conseguirá mais do que compensar o efeito da desvalorização do real, que terá impacto sobre a parcela da dívida vinculada ao câmbio.
"A dívida líquida do setor público, em termos de percentuais do PIB (Produto Interno Bruto) será, provavelmente, menor com a nova política cambial do que com a anterior", disse. Francisco Lopes explicou que a puxada na taxa de juros, promovida pelo BC esta semana, não tem qualquer relação com a variação da taxa de câmbio. O arrocho monetário, de acordo com Lopes, é para evitar a propagação da desvalorização do real nos preços. Ou seja, é para segurar a inflação.
O presidente do BC se negou a dar um horizonte para o patamar da taxa de juros. Segundo ele a taxa de juros será elevada pelo tempo necessário para refrear o impulso inflacionário. Quanto menor for o impacto da desvalorização do real sobre os índices de preços, menor será a taxa de juros nominal elevada e o período em que ela permanecerá na economia. O presidente do BC não acredita que o período de transição seja mais do que alguns dias ou semanas. O efeito da taxa de câmbio, atualmente alta, não será o mesmo daqui há três meses, assegurou.

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