Boatos deixam correntistas e aplicadores preocupados Por Cley Scholz
São Paulo, 29 (AE) - Os boatos da sexta-feira não chegaram a provocar uma corrida desenfreada aos bancos e nem a afetar o sistema bancário, mas abalaram fortemente o mercado. "Foi um dia terrível por causa dos boatos", afirmou o presidente da Federação Brasileira das Associaçäes de Bancos (Febraban), Roberto Egydio Setúbal. Segundo ele, a ida dos clientes aos bancos para sacar dinheiro ocorreu em pontos localizados principalmente nas capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. "O volume sacado é menor do que possa ser avaliado e não tem relevância, embora tenha ficado acima do normal", comentou.
Segundo o presidente da Febraban, as instituiçäes financeiras conseguiram atender a todas as solicitaçäes com os depósitos disponíveis nas próprias tesourarias. Ele recomendou calma aos clientes dos bancos e disse estar tranquilo e confiante na equipe econômica comandada pelo ministro Pedro Malan.
"O comportamento da equipe econômica tem sido absolutamente confiável nos últimos cinco anos, sempre marcada pela transparência", comentou Setúbal. "Infelizmente a história do Brasil registra muitas surpresas, pacotes e barbaridades como tablitas, congelamentos e confiscos, e os boatos acabam surgindo mais em função do que foi feito no passado do que da realidade presente." O presidente da Febraban afirma que confia na capacidade do governo de transmitir confiança para os brasileiros neste final de semana. "Estamos vivenciando um momento difícil mas não há nenhuma razão para dar crédito aos boatos", disse.
Sobre a disparada do dólar desde a mudança da política cambial, Setúbal comentou: "A liberdade cambial em vários países asiáticos e no México em 94 também provocou o que o mercado chama de over shooting, que é a supervalorização do dólar, mas depois a cotação tende a se reverter e aqui vai acontecer a mesma coisa".
Segundo Setúbal, o que provoca a alta exagerada "é uma incerteza sobre qual será o nível do câmbio". O fluxo negativo de dólares provocado pela sobrevalorização do real em relação ao dólar, antes da liberação do câmbio, também contribuiu para agravar a situação. "A reversão do fluxo não acontece de um dia para o outro, pois depende da negociação de muitos contratos e da retomada da produção industrial destinada ao mercado externo, o que pode demorar dois, três ou quatro meses". Segundo o presidente da Febraban, na medida em que o fluxo de dólares volte a ser positivo a situação econômica tende a se normalizar.
"Minha expectativa é a de que o governo aprofunde o ajuste fiscal", acrescentou Setúbal, destacando que é importante que o País mantenha os compromissos acertados com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Em fevereiro o Brasil recebe a segunda parcela de U$ 9 bilhäes e além disso as reservas estão elevadas, o que significa que não há qualquer risco de ruptura econômica", disse o presidente da Febraban. "O governo precisa reestabelecer a credibilidade e a confiança dos mercados e o presidente Fernando Henrique Cardoso tem plenas condiçäes de conseguir isso. Ele acrescentou que o sistema bancário está suportando a turbulência e não enfrenta riscos. "O momento é de muita cautela
mas estou confiante de que vamos superar as dificuldades."

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