Ford quer impedir acesso de demitidos à fábrica na segunda Por Liliana Pinheiro
São Paulo, 29 (AE) - A Ford só vai permitir a entrada de empregados na fábrica em São Bernardo do Campo, segunda-feira, deixando demitidos de fora. As catracas eletrônicas - desativadas desde a demissão de 2,8 mil funcionários - estarão funcionando, segundo comunicado da montadora enviado aos trabalhadores. A informação é do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Os demitidos não possuem o novo crachá que dá acesso às linhas de montagem. Mesmo assim, sindicalistas discutem a possibilidade de ocupação da empresa, logo após assembléia, com ou sem conflito.
A empresa também marcou com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo uma nova negociação para discutir a situação de 702 excedentes da fábrica de caminhäes no Bairro do Ipiranga, em São Paulo, que tem um total de 1,8 mil trabalhadores. A informação foi dada pelo presidente do sindicato, Paulo Pereira da Silva, que comandou hoje assembléia na qual os empregados rejeitaram oferta de afastamento por cinco meses dos excedentes, com redução salarial.
No mesmo dia, ele e o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, se reunirão com a direção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), para apresentar às montadoras o plano de emergência para escoamento de estoque nos pátios das empresas e nas revendedoras - o mesmo projeto que foi discutido ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso, que prevê redução do IPI e do ICMS, em troca de manutenção do nível de emprego de cancelamentos dos reajustes nos preços dos carros.
Diante da possibilidade de diálogo com a Ford, os metalúrgicos do Ipiranga desistiram de fazer hoje passeata na Avenida dos Estados, como haviam programado. Mas a rejeição da oferta inicial da empresa, de afastamento dos excedentes por cinco meses, com redução de 50% dos salários para esse contingente, foi quase unânime. Durante o período, os trabalhadores não teriam depósitos de FGTS, nem contagem do tempo para 13º salário e férias.





