Dólar sobe 6,15% e rompe a barreira de R$ 2 em dia nervoso Por Cleide Sánchez Rodríguez
São Paulo, 29 (AE) - Num dia de extrema tensão e muitos boatos, o preço do dólar comercial superou hoje a casa dos R$ 2 e fechou sendo negociado a R$ 2,07, o que representa uma alta de 6,15% em relação à cotação do fechamento da véspera, acumulando uma valorização de 15,64% na semana.
Até as 18h30, o fluxo cambial estava positivo em US$ 224 milhäes. O mercado de dólar comercial era responsável por um saldo saldo líquido positivo de US$ 254 milhäes, enquanto no flutuante as saídas superavam as entradas em US$ 30 milhäes. Segundo analistas, o resultado das exportaçäes era responsável pelo saldo positivo, que, entretanto, poderia ser revertido até as 21 horas, quando encerram-se os registros do movimento cambial do País.
Futuro - O vencimento dos contratos de dólar negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros na segunda-feira transformou o mercado de câmbio num terreno fértil para que os boatos brotassem, à medida que as cotaçäes do dólar subiam, e se alastrassem por todo do sistema financeiro.
De certa forma, a pressão sobre as cotaçäes do dólar dos últimos dias, resultado das arbitragens entre os preços à vista e os futuros, já sinalizava a agitação que tomaria conta do primeiro vencimento de um contrato futuro depois que o País mudou sua política cambial.
A liquidação financeira dessas operaçäes ocorre na segunda-feira, mas a opção por renová-las deveria ser feita até ontem. E a base dos negócios é o preço médio do dólar à vista, de ontem. Os investidores que compraram o dólar antecipadamente - no jargão do mercado, estavam "comprados" - tinham interesse em manter as cotaçäes elevadas. Os investidores na posição contrária, que venderam dólares antecipadamente - no jargão, do mercado estavam "vendidos" - tinham interesse em derrubar as cotaçäes.
Como o Banco do Brasil (BB) é um dos maiores investidores da posição vendida, especulou-se nos últimos tempos que ele atuaria no mercado à vista vendendo dólares para derrubar os preços e, dessa forma, reduzir os prejuízos. Só que o BB ficou de fora. Além disso, o dia foi recheado de boatos de moratória interna e confisco de reais que acabaram pressionado o dólar para cima.
A própria chefe do Departamento de Operaçäes das Reservas Internacionais do Banco Central (BC), Maria Socorro de Carvalho, esclareceu que os boatos tinham por objetivo influenciar na formação do preço médio do dólar de hoje. A executiva do BC chegou a advertir que quem comprasse dólar hoje correria o risco de perder dinheiro, e assegurou que na segunda-feira a cotação da moeda norte-americana deverá cair.
Toda essa movimentação de hoje, segundo Socorro, ocorreu porque os bancos estavam apostando na alta da moeda norte-americana. Ela salientou que o BC está observando atentamente o mercado e as operaçäes realizadas entre bancos.





