BC vai divulgar diariamente posição de reservas internacionais Por Vânia Cristino
Brasília, 29 (AE) - A partir de segunda-feira o Banco Central estará divulgando, diariamente, a posição das reservas internacionais do País, anunciou, hoje, o presidente do Banco Central, Francisco Lopes. De acordo com Lopes o objetivo do BC é tornar transparente para o mercado as intervençäes feitas pelo Banco Central.
Francisco Lopes explicou que a divulgação diária será sempre no dia seguinte, ou seja, com referência à posição do dia anterior. Toda vez que o Banco Central intervir o mercado saberá pela simples comparação com a posição divulgada antes. Para diferenciar a intervenção do BC no mercado e a saída de dólares da reserva para pagamento de compromissos, Francisco Lopes prometeu que todo pagamento externo será explicitado.
Segundo Lopes, desde a liberação do câmbio, em 15 de janeiro, o Banco Central não fez nenhuma intervenção no mercado. As regras para essa intervenção, de acordo com ele, ainda não existem, mas estão sendo estudadas. "Desde o início, nós nos reservamos o direito de, ocasionalmente, intervir, ou seja, vender dólares da nossa reserva, em quantidade limitada, para reduzir o excesso de volatilidade", disse.
O presidente do Banco Central confirmou que, para fixar a regra de intervenção, o Banco Central pretende conversar com a missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que chega ao Brasil neste fim-de-semana. "Um dos benefícios do diálogo com o FMI é a experiência que eles têm de diversos países", disse.
Para o presidente do Banco Central o Brasil tem duas opçäes para determinar a regra de intervenção. Uma, bastante semelhante à do México, ou seja previamente explicitada para o mercado. Segundo Francisco Lopes os mexicanos adotaram, no regime de livre flutuação, uma regra automática de intervenção. Toda vez que a taxa sobe mais de 2% no dia, o Banco Central entra vendendo, uma única vez, uma quantidade fixa de dólares (US$ 200 milhäes). Quando ocorre o inverso, ou seja, a taxa cai muito, o BC mexicano exerce as opçäes, ou seja, acumula reservas.
A outra opção, de acordo com Lopes, é o Banco Central do Brasil não explicitar a regra de intervenção para o mercado. "Flutuação totalmente pura não existe", declarou Lopes. O presidente do BC fez questão de esclarecer que qualquer que venha a ser a opção do BC na intervenção, o objetivo será sempre o de tentar amortecer o movimento. "As intervençäes serão sempre em volume limitado", afirmou. Segundo Francisco Lopes, o Banco Central não pode estar disposto a vender o volume que o mercado quiser. "A intenção do BC não será a de mudar a tendência da taxa de mercado, senão estaríamos operando num regime de banda", concluiu.

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