Öntegra do pronunciamento de FHC
São Paulo, 29 (AE) - A íntegra do pronunciamento do presidente Fernando Henrique Cardoso feito no Palácio dos Bandeirantes:
"Estive conversando com o governador nos últimos 10 dias e este é um bom momento para conversarmos, trocarmos idéias sobre o futuro do Brasil. Eu vim a São Paulo hoje de manhã e achei que o momento era oportuno de conversar com o governador Mário Covas. Eu o vi hoje na televisão pela manhã na inauguração e fiquei satisfeito de vê-lo tão bem disposto. Por outro lado eu queria aproveitar a oportunidade para reiterar o que eu disse esta manhã e o que o ministro Malan disse também: não há a menor hipótese de que seja feriado bancário segunda, terça, quarta ou quinta-feira. Não estamos tratando absolutamente de nenhum plano que venham a mexer com as economias da população.
Não vai haver moratória. Isso é conversa que vem de fora. Não tema nada a ver com a nossa realidade brasileira. Não vai haver de maneira alguma uma violência contra a poupança popular. Este governo é um governo democrático eleito e reeleito e que tem compromisso, tem história, e portanto não vai se comportar dessa maneira açodada. Nós hoje temos dificuldades na área do dólar. Há especuladores. Estão subindo os preços porque hoje é o último dia do mês e é sexta-feira. Tudo especulação. Pois bem que a população não caia nesta. Porque quando o dólar cair quem vai perder não é o especulador que vende primeiro é o pobre povo que comprou alto. É preciso ter calma e entender esses mecanismos e evitar que o Brasil, que levou tantos anos criando uma economia do real, que a população que pode viver melhor e com mais tranquilidade que agora por causa de umas pessoas chacais, digamos assim, que só querem saber de certos momentos explorar as economias da população, utilizem técnicas de manipulação.
Não tem nenhum sentido que se façam filas em bancos. Os que estão nas filas de bancos ou estiveram vão ter que voltar na segunda-feira para devolver o dinheiro porque não vai acontecer nada. É perda de tempo. Agora, é impatriótico e criminoso ficar dizendo que vai haver isso ou aquilo. Eu peço às rádios e às televisäes que alertem a população. Há pessoas que chegam às filas dos bancos e dizem que precisam tirar depressa porque vai haver feriado, que vai haver plano. É mentira. É preciso que o Brasil volte a sua normalidade e vamos deixar que essa questão do dólar, da especulação, fica aos cuidados do Banco Central.
Queria também dizer que não existe perda de reservas do Brasil. Porque as reservas do Banco Central não estão sendo usadas para a compra de dólar. É por isso que o dólar sobe. Porque o Brasil não vai gastar suas reservas em um momento de especulação. O Brasil mantém seus US$ 35, US$ 36 bilhäes, o que nós precisamos para dar segurança que os nossos compromissos vão ser honrados. Da mesma maneira, só quem não conhece o financiamento da dívida interna fica pensando que será necessário qualquer medida para que essa dívida seja resolvida. As taxas de juros estão altas neste momento para conter especulação.
Nós saimos do câmbio fixado ao dólar precisamente para permitir que houvesse a baixa da taxa de juros. Logo não é possível projetar a taxa de juros para o ano todo. O governo está ativo, nós estamos atuando, estamos em contato em discussäes internacionais de forma que faremos o que for necessário e com muita energia para evitar que o Brasil entre em um processo de desorganização. O que nos custou tantos anos, eu fui ministro da Fazenda numa época de inflação, lutei contra a inflação e ninguém acreditava. Todo dia me perguntavam qual seria a taxa de inflação, como hoje me perguntam qual vai ser a taxa do dólar.
Não adianta vir com precipitação. O que precisamos ter é determinação. O governo está determinado e fará o que for necessário, e o povo brasileiro pode ter tranquilidade. Não vamos fazer nada que violente a poupança do povo e que faça com que esse povo de um dia pro outro apareça sem dinheiro em suas contas bancárias. Deixem seu dinheiro em paz no banco".

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