Cliton falou com FHC sobre ajuste e política monetária Por Monica Yanakiew
Washington, 29 (AE) - Um dia depois de ter reunido seus principais assessores econômicos para avaliar a crise no Brasil, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, conversou por telefone com o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre as medidas necessárias para estabilizar o real. Segundo o chefe do Conselho Ecônomico Nacional americano, Gene Sterling, os dois concordaram sobre a importância de o governo brasileiro adotar uma política monetária forte e continuar com o ajuste fiscal.
O telefonema de quinta-feira à noite, que durou 20 minutos, foi relatado por Sterling hoje - mesmo dia em que uma onda de boatos
sobre moratória da dívida interna e confisco da poupança, tomava conta de Brasília e repercutia no mercado em Nova York. Na conversa, Fernando Henrique e Clinton repetiram o mesmo que vinha sendo dito por funcionários do governo brasileiro, do Tesouro americano e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
"Os presidentes concordaram sobre a importância de estabelecer um novo formato de política monetária", disse Sterling, cujo conselho é ligado diretamente à Casa Branca. "O presidente Cardoso disse que um plano estava sendo elaborado e os dois falaram sobre a necessidade de continuar as reformas", contou.
Na quarta-feira passada - enquanto Clinton se reunia com membros do Conselho Econômico Nacional e com o secretário do Tesouro, Robert Rubin - o vice de Rubin, Lawrence Summers, falava ao Senado americano sobre o papel do FMI em crises futuras e sobre o Brasil. Ele também insistiu na necessidade de continuar as reformas, indicando que espera-se mais do que as medidas anunciadas no ano passado.
Segundo fontes do governo americano, os Estados Unidos e o FMI (que neste final de semana enviará uma missão negociadora a Brasília) estão discutindo com o governo brasileiro medidas para manter sob controle a desvalorização do real, que já superou os 40% desde o início da crise, no último dia 13. Clinton e Cardoso não falaram sobre a liberação da segunda parcela do pacote de ajuda financeira internacional, de US$ 41,5 bilhäes, prevista para fevereiro.
Summers e Rubin tampouco quiseram, essa semana, antecipar a decisão que será tomada pelo FMI, de liberar outros US$ 9 bilhäes: US$ 4,5 bilhäes do Fundo e outros US$ 4,5 bilhäes do BIS (Banco de Compensaçäes Internacionais - o banco central dos bancos centrais, encarregado de administrar a contribuição de 20 países ricos ao pacote de US$ 41,5 bilhäes). Todos repetem o recado que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, deu quando esteve em Washington há pouco mais de uma semana: que os juros permanecerão altos, enquanto for necessário, e que o Brasil provavelmente precise de mais medidas para equilibrar suas contas.

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