MS pode ser excluído como área livre da aftosa Por Mariângela Heredia
Brasília, 29 (AE) - O Mato Grosso do Sul poderá ser excluído da lista dos Estados do circuito Centro-Oeste que vão tentar obter a certificação de áreas livres de febre aftosa junto à Organização Internacional de Epizootias, em função do foco da doença constatado no município de Naviraí no último dia 20. A decisão será tomada em reunião no próximo dia 5, quando representantes do Ministério da Agricultura, iniciativa privada e secretarias de agricultura dos Estados que integram o circuito Centro-Oeste - São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Tocantins - discutirão o que fazer com o cronograma traçado para a obtenção do reconhecimento da OIE, que prevê a entrega do pedido para maio.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Ònio Marques, é contrário à idéia da exclusão do Estado, em princípio. "Estamos fazendo um programa que tem por objetivo erradicar a febre aftosa no País e não aumentar as exportaçäes de carne". A certificação da OIE é essencial para a venda das carnes brasileiras de boi e de porco no mercado internacional. A coordenadora de Vigilância e Programas Sanitários do Ministério da Agricultura, Denise Euclydes Mariano da Costa, acredita, contudo, que é preciso aguardar a reunião para definir, conjuntamente, o que é melhor para o País.
"Temos duas opçäes: ou os Estados param o processo para o reconhecimento junto à OIE ou retiram o Mato Grosso do Sul". É que uma das exigências da OIE para a certificação de áreas livres de aftosa é que não sejam registrados focos da doença durante dois anos, no mínimo, antes do pedido.
O governo concluiu a erradicação dos animais nas duas fazendas de Naviraí (MS) onde foram registrados os focos de febre aftosa. Segundo a coordenadora de Vigilância e Programas Sanitários do Ministério da Agricultura, Denise Euclydes Mariano da Costa, foram sacrificados 1.548 bovinos, 30 suínos e oito ovinos. As fazendas continuam interditadas e agora será feita a desinfecção das máquinas usadas para a abertura das covas e enterro dos animais.
Os três frigoríficos interditados num raio de 25 quilômetros das fazendas serão liberados após essa desinfecção. A situação ainda é de alerta e a partir de agora serão colocados novos animais nas duas propriedades para testar se não adoecem e, depois de um mês o repovoamento começará, segundo a técnica.
Pela primeira vez o governo federal é que pagará a indenização aos proprietários dos animais sacrificados. No ano passado, quando também foi registrado um foco da doença em Porto Murtinho (MS), as indenizaçäes, de R$ 800 mil, foram pagas com recursos de um fundo do setor privado. Como o fundo está sem dinheiro, e o Estado também, o novo governador de Mato Grosso do Sul, Zeca do PT, pediu ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, que o governo pague as indenizaçäes.
Turra concordou, e uma equipe do Ministério está trabalhando para levantar os custos da operação. Todas as informaçäes do trabalho de combate ao foco de aftosa no Mato Grosso do Sul foram repassadas à Organização Internacional de Epizootias (OIE).

mockup