Davos, Suíça, 29 (AE) - O vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, anunciou hoje a disposição de seu governo de propor a completa eliminação dos subsídios à exportação agrícola nas próximas negociaçäes mundiais de comércio, a Rodada do Milênio. Será um avanço importante, comentou o chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia: faltava incluir a exportação no programa norte-americano de redução de subsídios à agricultura. Esse foi um setor com poucos ganhos para o Brasil e para outros produtores ao Sul do Equador, nas negociaçäes encerradas em 1994. Em seu discurso no Fórum Mundial, que se realiza em Davos, na Suíça, Gore também mencionou a redução de tarifas de importação, hoje na média de 40%, como um dos objetivos do presidente Clinton para a nova rodada. As tarifas protecionisras são elevadas tanto na Europa quanto nos Estados Unidos.
Lampreia disse ter conversado sobre o assunto hoje, durante uma reunião com a embaixadora Charlene Barshefsky, representante comercial dos Estados Unidos e principal negociadora norte-americana. Segundo ela, a questão agrícola será um dos temas principais da agenda dos Estados Unidos na próxima rodada na Organização Mundial do Comércio, prevista para começar no final do ano.
Barshefsky se manifestou, segundo Lampreia, contrária à aplicação de sançäes contra as exportaçäes brasileiras de aço. O problema, teria dito a representante norte-americana, está nas vendas japonesas. A ação contra vários países fornecedores de aço, porém, está correndo na Secretaria de Comércio, outra área do governo. Barshefsky, disse Lampreia, declarou-se disposta, porém, a apoiar em Washington a posição brasileira.
O empenho norte-americano em liberalizar o comércio agrícola estará condicionado à resposta européia. Gore mencionou em seu discurso o custo dos subsídios agrícolas da Europa - em média, US$ 1.500 anuais por família. O pronuniamento foi dirigido principalmente aos parceiros europeus. "Também nos comprometemos", disse Gore, "a garantir que produtores agrícolas de todo o mundo possam usar biotecnologia segura e cientificamente provada, sem medo de discriminação comercial". O mundo, continuou, "dispäe hoje de tecnologias novas e seguras que podem ajudar a nutrir milhäes de famílias famintas." Foi uma referência indireta às limitaçäes comerciais impostas, na União Européia, aos chamados produtos transgênicos, desenvolvidos originalmente nos Estados Unidos.
No Brasil, tem havido um intenso debate a respeito do assunto. A posição dos técnicos do governo tem sido favorável à utilização das sementes transgênicas, destinadas inicialmente à produção de soja. As barreiras européias têm sido uma das fontes de dúvidas para os agricultores brasileiros.

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