Brasília, 29 (AE) - A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai colocar os estoques públicos de grãos no mercado a partir da semana que vem com o objetivo de estabilizar os preços e combater a especulação que vem ocorrendo com a desvalorização do real. O presidente da Conab, Eugênio Stefanelo, assegura que não há riscos de desabastecimento, até porque a nova safra de grãos começa a ser colhida e a estimativa é de que será a maior de todos os tempos, superior a 82 milhäes de toneladas. Mas o governo vai leiloar os estoques que ainda restam de algodão, arroz e milho para ajudar a abastecer o mercado.
Segundo Stefanelo, todo o estoque disponível de arroz, de 187 mil toneladas, será leiloado até o final de fevereiro. No caso do milho, o governo vai fazer leiläes semanais de 80 mil toneladas para a Região Nordeste e 200 mil toneladas para as demais regiäes, além de vender 75 mil toneladas em balcão para pequenos produtores das Regiäes Sul e Nordeste. O estoque atual de milho, de acordo com Stefanelo, é de 2,8 milhäes de toneladas. Nos leiläes de algodão, onde os estoques públicos são de 71 mil toneladas, a Conab vai oferecer ao mercado 5 mil toneladas de pluma por semana.
O governo não tem estoques de feijão e trigo, mas o presidente da Conab assegura que o mercado está plenamente abastecido. A safra de feijão do Paraná, segundo ele, já foi 70% colhida provocando redução de preços no atacado. "A saca de 60 quilos baixou de R$ 80 há duas semanas para R$ 50", disse Stefanelo.
Stefanelo afirmou que os aumentos de preços dos produtos agropecuários após a desvalorização cambial são preventivos, já que nenhuma mercadoria importada chegou efetivamente ao mercado nos últimos dois meses. "Em termos econômicos é o que se chama especulação, quando a empresa tem estoques de produto importado e quer garantir a reposição aumentando os preços". No caso do frango, citou, ainda não houve impacto de custos pois a ração é composta de milho ou farelo de soja, produzidos no País. "O problema é que as empresas querem fazer a mesma receita que teriam exportando o produto com o novo câmbio".
O pãozinho também não poderia aumentar de preço, segundo Stefanelo, porque os moinhos ainda estão moendo o trigo internalizado com a taxa de câmbio antiga. Além disso, ressaltou, a farinha de trigo pesa com apenas 12% no custo final do pão. Stefanelo adverte que só a dona de casa pode repudiar os aumentos abusivos. "É preciso adiar as compras, pois o governo não tem como substituir o papel do consumidor final", concluiu.

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