Brasil não muda incentivo a exportação, apesar de protesto argentino Por Irany Tereza
Porto Real, RJ, 29 (AE) - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, afirmou hoje que o Brasil não vai mudar a política de incentivo às exportaçäes, inclusive no comércio com os países do Mercosul, apesar das reclamaçäes do governo argentino. "Neste momento, não vamos alterar nada", afirmou o ministro, argumentando que não há como projetar para o ano inteiro taxas de câmbio como as que estão sendo praticadas agora, durante a inauguração da fábrica da Peugeot-Citren em Porto Real, no sul do Estado.
Lafer encontrou-se duas vezes com a missão do governo argentino. A primeira, segundo ele, na semana passada, e a outra
no início desta semana, para tratar da questão cambial e seu impacto no comércio entre os dois países. O ministro lembrou que os argentinos estão fazendo duas reivindicaçäes básicas. Uma é a redução ou eliminação de financiamentos do Programa de Financiamento às Exportaçäes (Proex) nos produtos vendidos para a Argentina e a outra é a revisão dos créditos fiscais de PIS, Pasep e Cofins, nos produtos comprados pelo Brasil por outros países do Mercosul.
"Ficamos de estudar o assunto, mas eu disse às autoridades argentinas que vamos olhar construtivamente os pleitos, mas não é possível, duas semanas depois da introdução de um novo sistema cambial, que possamos fazer uma avaliação", ponderou. Lafer alega que não há, hoje, como prever o que irá acontecer dentro de dois ou três meses. "Fazer a anualização com essas taxas não é boa técnica econômica e nem politicamente prudente", disse o ministro, que terá, em fevereiro, uma nova reunião com os parceiros da Argentina, para discutir os mesmos assuntos.
O governo brasileiro também está preocupado com os rumos da política econômica estudados pela Argentina. Lafer deixou isto claro nas reuniäes para tratar do Mercosul. Segundo o ministro, há uma "grande preocupação" com a hipótese de dolarização da economia argentina, e dos reflexos que isso pode trazer para o Brasil. Esta questão também será discutida na reunião de fevereiro.
Segundo o ministro, os pedidos dos argentinos não dizem respeito à extinção do Proex para outros mercados. O principal parceiro comercial do Brasil no Mercosul contesta apenas o benefício no âmbito do comércio entre os dois países, mas o governo brasileiro não parece disposto a abrir mão do principal mecanismo de incentivo às exportaçäes. "Eu não posso deixar de lembrar também que o Brasil tem sustentado uma situação de déficit comercial muito expressivo com a Argentina", afirmou Lafer, rebatendo as queixas argentinas sobre os prejuízos causados com a alta do dólar no mercado brasileiro.
Lafer usou ainda exemplos que ocorreram no processo de integração dos países da Europa, para argumentar que desvalorizaçäes monetárias não precisam necesariamente influenciar mudanças comerciais. Segundo ele, "no processo de alta envergadura como a União Européia, houve expressivas desvalorizaçäes da libra inglesa, da moeda espanhola, da moeda portuguesa e da lira italiana", lembrou.
Antes de ir à inauguração da fábrica, Lafer abriu um seminário sobre economia brasileira na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). No evento, o ministro afirmou que as indústrias automobilísticas de Brasil e Argentina deverão encontarr um "novo equilíbrio", com a desvalorização do real. Na palestra que deu, Lafer afirmou que a dolarização da economia argentina seria "inviável politicamente", porque não interessaria ao governo norte-americano.





