federal eleito, José Dirceu, previu que o Brasil vai passar por uma ``crise político-institucional' se as dívidas dos Estados com o governo federal não forem renegociadas. ``Ou o presidente da república abre uma negociação com os governadores e reestrutura as dívidas estaduais, ou vai haver uma crise na federação, porque os governadores não têm condições de pagar os débitos e o País vai entrar numa situação mais grave ainda', afirmou Dirceu, em coletiva no diretório nacional do PT, da qual participaram o presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, a deputada federal Maria da Conceição Tavares e o economista Paul Singer.
Dirceu aposta na reunião dos governadores de oposição, que será realizada segunda-feira, em Minas Gerais, para definir uma agenda de discussão sobre a renegociação dos débitos estaduais. Segundo ele, todos os 27 governadores foram convidados para participar do encontro. Lula não estará presente. O líder petista viaja amanhã (15) a Cuba, onde participará de um congresso de economistas.
José Dirceu voltou a defender o controle da saída de capitais do País e a centralização do câmbio. Segundo ele, o PT pretende mobilizar os outros partidos de oposição e os trabalhadores, alertando para a gravidade do atual momento econômico.``Nos próximos meses, o desemprego vai ser aterrador', previu Dirceu, que defendeu um amplo debate nacional sobre a questão. ``Não nos peçam depois para apagar o incêndio do País.'
A deputada federal e economista Maria da Conceição Tavares, em discurso emocionado, previu o aumento das dificuldades econômicas das empresas brasileiras. ``Além da desgraça do desemprego, que pode aumentar para 15% em dois meses, eu também me preocupo com a destruição das empresas deste País', ressaltou. Ela alertou para o perigo da perda de confiança no Brasil por parte dos investidores internacionais. ``Nós corremos o risco de, nos próximos dias ou em menos de uma semana, não ter mais credibilidade externa de nenhuma espécie', disse.
O economista Paul Singer também fez duras críticas à condução da política econômica pelo governo federal. ``Estamos gastando o que não temos para sustentar uma política econômica inviável', enfatizou. ``É preciso baixar a taxa de juros e promover políticas para retomar o nível de produtividade', afirmou.

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