Belo Horizonte, 14 (AE) - O secretário da Fazenda de Minas, Alexandre Dupeyrat, disse hoje que a mudança no câmbio promovida pelo governo federal deverá inviabilizar o pagamento da dívida externa do Estado. Segundo Dupeyrat, que participou, pela manhã, de solenidade na sede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) - durante a qual o governador Itamar Franco fez pronunciamento, assegurando a não privatização da estatal -, não há qualquer garantia de que a primeira parcela do débito de cerca de US$ 200 milhões, referente ao lançamento dos chamados eurobônus no mercado internacional, seja quitada no dia 10 de fevereiro. A parcela é de US$ 108 milhões.
``Não pode haver (garantia), porque, além deste quadro caótico, o que se tem é a perspectiva de o governo federal não querer compreender a situação crítica em que se encontram as finanças do Estado, colocando em risco a prestação dos serviços', disse. Para o secretário, com a ampliação da banda cambial e a desvalorização do Real, feitas ontem (13) pela equipe econômica, o pagamento de toda a dívida externa mineira, que totaliza US$ 800 milhões, tornou-se ainda mais difícil. 'Temos que pagar mais 8% e qualquer acréscimo complica', afirmou.
Na segunda-feira, representantes do banco europeu Indosuez, que coordenou o lançamento dos eurobônus, em 1994, reuniram-se com Itamar para tentar obter garantias de que o pagamento seria feito. 'Eles ouviram a verdade sobre a situação crítica do estado, que se agravou agora na mesma proporção da desvalorização da moeda', afirmou o secretário, insinuando o provável não cumprimento do acordo.
Dupeyrat também disse que, caso o governo federal insista em cumprir as retaliações previstas no contrato de renegociação da dívida mineira junto à união (R$ 178,5 bilhões), diante da moratória de 90 dias decretada pelo governador Itamar Franco, nenhum compromisso, seja junto a fornecedores, empreteiras ou credores externos, será pago. 'Se houver um deliberado propósito de estrangular o estado financeiramente, por parte da União, tudo vai se tornar inviável', avaliou. Ao ser perguntado por um repórter se achava, de fato, que o governo federal estaria com este propósito, Dupeyrat preferiu a ironia. 'O que lhe parece ?'
Contradição - Apesar das declarações de Dupeyrat, o vice- governador mineiro Newton Cardoso, que tenta, até agora sem sucesso, articular a conciliação entre Itamar Franco e o presidente Fernando Henrique Cardoso - utilizando como interlocutores os ministros peemedebistas Esildeu Padilha e Renan Calheiros - assegurou que a dívida em eurobônus será quitada no prazo previsto.
'Há garantias e nós vamos pagar, sim', disse ele, ao deixar a Cemig. A contradição demonstrou o desencontro de informações no governo estadual. Ao ser informado sobre a posição do vice, Dupeyrat tentou esclarecer o assunto. 'Ele disse isso antes das mudanças na economia', afirmou, desconsiderando o fato de que Newton se manifestara minutos antes, no mesmo local.

mockup