Belo Horizonte, 14 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco, garantiu hoje, durante discurso na sede da Companhia Energética do Estado (Cemig), que a empresa não será privatizada e que a venda a um consórcio estrangeiro de 33% do controle acionário da estatal, feita durante o governo Eduardo Azeredo (PSDB), será revista, sob risco até de cancelamento. Cumprindo promessa de campanha, Itamar anunciou a formação de uma comissão especial de procuradores para analisar o processo que culminou no leilão das ações, adquiridas por um consórcio entre as empresas AES e Southern Electric e o banco Opportunity. Os compradores ganharam cargos importantes no comando da Cemig.
'É meu dever promover a revisão, dentro dos limites da lei e da conveniência administrativa, de todos os atos que geraram a venda de ações desta empresa e, sobretudo, o referido acordo de acionistas', disse o governador. Itamar levanta suspeitas sobre a lisura da operação, entre outras coisas, por ter envolvido o banco Opportunity. A comissão criada para investigar o processo de alienação de parte do controle acionário da Cemig tem prazo de 60 dias para concluir seus trabalhos.
Em seu pronunciamento, Itamar, que, desde sábado, recusa-se a dar entrevistas, também reafirmou sua posição contrária a privatizações de Furnas Centrais Elétricas, pertencente ao sistema Eletrobrás. Disse que irá utilizar todos os meios disponíveis para tentar impedir a alienação do patrimônio da empresa, 'que tanto interessa ao governo mineiro'. O novo presidente da Cemig é Djalma Morais, que, durante o período em que Itamar foi presidente, ocupou a chefia da Telebrás.
O conselho administrativo, com 11 membros, tem seis pessoas indicadas pelo governador, uma pelos acionistas minoritários e outras quatro pelos chamados sócios estratégicos da empresa, donos dos 33% do capital votante. O secretário da Fazenda e ex-ministro da Justiça Alexandre Dupeyrat e o ex-embaixador José Aparecido de Oliveira, ambos integrantes da chamada 'República do Pão de Queijo', como ficou conhecido o grupo do ex-presidente, estão entre os seis nomeados pelo Palácio da Liberdade.

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