Porto Alegre, 14 (AE) - O Rio Grande do Sul recorrerá ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) para questionar a abertura de filiais de indústrias gaúchas de calçados e componentes na Bahia em troca de vantagens, fiscais ou não, proporcionadas pelo governo baiano. Foi o que informou hoje o secretário da Casa Civil do Rio Grande do Sul, Flávio Koutzii, ao comentar o uso de benefícios, entre eles a oferta de infra-estrutura, para que os empresários construam filiais na Bahia.
O governo gaúcho tem reiterado que combaterá a guerra fiscal que, na visão dele, causa sangria de recursos dos Estados em favor das empresas.
No dia 7, o governador baiano César Borges (PFL) assinou protocolo de intenções com oito empresas do setor, seis delas gaúchas - Calçados Mirabel, Boxprint, Poliuretana, Incometal, Ingenorte, Vinilex, Cofrag e Solagit. As novas plantas significarão, somadas, um investimento de US$ 21,6 milhões e gerarão 1,9 mil empregos. ``Ganhamos terreno e prédio e seremos os primeiros a ter condições de operar, ainda no final deste mês', relatou o funcionário da Solagit de Parobé (RS) Marcelo Ew. Segundo ele, a nova unidade, situada em Cruz das Almas (BA), criará 90 empregos e representará um investimento de, aproximadamente, R$ 500 mil.
Depois das eleições, mas ainda durante o governo Antonio Britto (PMDB), Borges esteve no Vale do Rio dos Sinos e na região da Serra Gaúcha, tentando atrair indústrias. Reuniu-se com Britto no Palácio Piratini, mas não manteve nenhum contato com o novo governo, o que causou má impressão. Como toda a concessão de incentivos deve receber, por unanimidade, o aval dos integrantes do Confaz, o governo gaúcho advertiu que usará o voto ao qual tem direito para barrar a prática.





