Washington, 14 (AE-REUTERS) - O grupo de deputados republicanos que atuam como promotores do processo de impeachment contra Bill Clinton no Senado considera convocar o presidente norte- americano para depor, caso se adote um procedimento jurídico que permita a apresentação de testemunhas. A revelação foi feita ontem (13) à noite pelo deputado republicano Henry Hyde, presidente da Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes, que recomendou ao Senado a abertura do processo contra Clinton.
``Esse tipo de declaração deixa claro o caráter político e partidário desse processo', reagiu o porta-voz da Casa Branca, Joe Lockhart. ``Um novo depoimento do presidente é desnecessário, uma vez que ele já testemunhou sobre o caso', acrescentou, referindo-se à declaração de Clinton perante um Grande Júri em agosto, na qual ele confessou ter tido ``relações impróprias', mas não ``sexuais', com a ex-estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky.
Clinton é acusado pela maioria republicana de ter cometido os delitos de perjúrio e obstrução da Justiça para tentar ocultar seu relacionamento com a jovem. A investigação do promotor independente Kenneth Starr reuniu as provas contra ele, a comissão presidida por Hyde enviou as evidências ao plenário da Câmara, em dezembro, e o processo chegou ao Senado, onde seus cem integrantes atuam como jurados de um julgamento conduzido pelo presidente da Suprema Corte, William Rehnquist.
A audiência de hoje foi aberta com uma oração. Hyde tomou a palavra em seguida, afirmando que ``o brilhante sistema de Justiça dos EUA só funciona por causa da transcendência do juramento', acusando Clinton de ter atentado contra essa instituição ao cometer perjúrio.
Depois de os representantes da defesa e da acusação terem enviado ao Senado os documentos e outras provas do processo, o julgamento começou oficialmente hoje, com a exposição de argumentos dos 13 promotores. Eles terão 24 horas - divididas em três jornadas de 8 horas por dia - para defender a necessidade do afastamento do presidente. O mesmo tempo será destinado aos advogados da Casa Branca, encarregados de defender Clinton.
Somente depois da fase de alegações, os senadores decidirão se põem em votação uma moção destinada a arquivar o processo de destituição - submetendo o presidente a uma censura do Congresso - ou se dão prosseguimento ao julgamento. Nesse último caso, os membros do Senado terão de decidir se admitem ou não a convocação de testemunhas.
Os republicanos que insistem no esforço para remover Clinton da Casa Branca acreditam que um depoimento de Monica, transmitido ao vivo pelas TVs do país, pode reverter a enorme popularidade do presidente - com base na qual a defesa tem qualificado de ilegítimo o processo de impeachment.
Já os advogados de Clinton, que preferem uma tramitação mais rápida do processo, sem a convocação de testemunhas, adotaram a estratégia de denunciar a oposição por ``abusar do extraordinário poder de destituir um presidente, conferido ao Congresso pela Constituição'. Eles alegam que o impeachment não é o instrumento adequado para punir funcionários públicos por deslizes pessoais.
Mas, mesmo que o processo no Senado prossiga até o fim, os republicanos não terão votos suficientes para remover o presidente do cargo. A aprovação do impeachment requer dois terços dos votos da Casa, composta por cem senadores. Os republicanos possuem 55 cadeiras no Senado e precisariam convencer pelo menos 12 senadores democratas a votar contra o mais popular presidente da república que seu partido já elegeu nos últimos anos.





