Washington, 14 (AE) - A equipe econômica decepcionou seus amigos e perdeu credibilidade em Washington não apenas por causa da decisão inesperada de acelerar da desvalorização do real, depois de jurar que não o faria, mas pela maneira como agiu, sem consultar previamente seus interlocutores no departamento do Tesouro e no Fundo Monetário Interrnacional.
``Várias pessoas puseram sua credibilidade pessoal e a das instituições que representam em jogo quando apoiaram o acordo entre o Brasil e o FMI com um crédito de US$ 41,5 bilhões e, obviamente, esperavam ser consultadas antes de uma mudança da política que justificou seu apoio', disse uma fonte bem informada.
Defendido principalmente pelo governo norte-americano e pela administração do FMI, mas criticado pelos governos europeus como uma imposição de Washington, o acordo do Brasil com o FMI foi vendido como projeto piloto da nova arquitetura do sistema financeiro internacional - um esquema ``preventivo' contra o contágio das crises financeiras globais, diferente das fracassadas operações de socorro feitas em 1997 na Ásia.
Ao agir de maneira atabalhoada, sem consultar seus parceiros e sem ter um plano claro para lidar com as consequências de sua decisão, Brasília introduziu um novo elemento de instabilidade nos mercados financeiros que colocou não apenas a economia do País mais próxima de um colapso, mas deixou o Tesouro e o FMI expostos a um novo bombardeio de críticas.
As turbulências que a desvalorização do real continuou a provocar hoje no mercado reforçaram o consenso de que a flexibilização da política cambial - um ponto no qual o FMI e o Tesouro insistiram em novembro nas discussões com as autoridades econômicas brasileiras, foi mal calculada , mal executada e não satisfez o mercado.
Um alto funcionário brasileiro confirmou à Agência Estado o forte sentimento negativo deixado, nos meios oficiais em Washington, pela mudança abrupta da taxa de câmbio. Esse sentimento manifestou-se, de forma atenuada, nas secas manifestações públicas que o presidente Bill Clinton, o secretário do Tesouro, Robert Rubin, e o diretor- gerente do Fundo Monetário Internacional fizeram, na quarta-feira.
Indicando que a palavra do governo brasileiro ficou desvalorizada junto com o real, os três insistiram na importância de o País levar a cabo prontamente o ajuste econômico que negociou com o FMI.
Camdessus deixou claro o que o executivo e o Congresso terão de fazer para que o Brasil tenha acesso ao desembolso de quase US$ 32 bilhões do crédito internacional ainda à disposição do País e dos quais passou a depender ainda mais.
Dizendo ter ouvido que as autoridades brasileiras fizeram-lhe uma ``forte reafirmação de seu compromisso' de, em cooperação com o Congresso, por em prática o ajuste fiscal anunciado em novembro do ano passado, ``no prazo mais curto possível', o diretor do FMI salientou a ``importância crucial' de que isso seja, de fato, feito rapidamente.
``É difícil subestimar a raiva que há aqui sobre como os brasileiros perderam tempo quando precisavam lidar com seus problemas', disse ao The New York Times um dos principais assessores econômicos do presidente Bill Clinton.
O economista Rudinger Dornbusch, do Massachusetts Institute of Technology, crítico ácido da política cambial brasileira, que recentemente previu o colapso do real até o carnaval, viu na alteração da política cambial a confirmação de sua profecia e tripudiou sobre os líderes do governo brasileiro, com ataques pessoais.
``O presidente Fernando Henrique Cardoso é incompetente ... e o ministro Pedro Malan é um decorador de interiores', disse Dornbusch , em entrevista à emissora de TV a cabo da rede NBC.





