Paris, 14 (AE) - Pergunta-se às vezes se há uma verdadeira diferença entre os poderes socialistas que governam atualmente quase toda a Europa e os poderes conservadores (gaullistas, democrata- cristãos, etc.) que os precederam, visto que as políticas econômicas se tornaram extremamente semelhantes desde que a esquerda, mais ou menos, cerrou fileiras em torno do mercado.
Entretanto, essa diferença existe. Hoje, a Alemanha nos dá um exemplo disso: o chanceler Gerhard Schroeder, que substituiu o velho chanceler da CDU, Helmut Kohl, está preparando a naturalização de 4 milhões de estrangeiros. Quatro milhões! Uma verdadeira revolução!
O projeto, apresentado na quarta-feira (13), para ser aprovado em março e aplicado a partir de julho, explica-se por uma mudança radical no conceito de nacionalidade.
Até agora, a nacionalidade alemã era regida por uma legislação que datava de 1913. Obedecia ao direito de sangue.
Os socialistas de Schroeder substituem essa regra pelo direito do solo.
De agora em diante, serão alemães, desde o nascimento, os estrangeiros nascidos em território alemão, desde que um de seus pais seja alemão nato ou tenha chegado ao país antes dos 14 anos. E, além disso, os estrangeiros receberão o passaporte alemão no fim de oito anos de residência regular na Alemanha (cinco anos para os mineiros) e não precisarão nem mesmo renunciar à nacionalidade de origem, como hoje exige a legislação alemã.
A direita insurge-se contra isso. A CDU (democrata-cristã) e sobretudo a CSU (variedade bávara da CDU) estão furiosas.
Contestam principalmente a dupla nacionalidade, porque irá favorecer os guetos islâmicos, a insegurança e, pior ainda, o aparecimento de partidos muçulmanos ou turcos no Bundestag.
Não é preciso dizer que a lei prevê algumas ressalvas: o estrangeiro deverá fazer-se entender oralmente em alemão (mas sem necessidade de exame escrito), não pode ter ficado preso por mais de nove meses, nem pode ser agitador conhecido - o que excluiria muçulmanos e curdos filiados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Naturalmente, os candidatos deverão ser capazes de prover sua própria subsistência sem necessidade de ajuda social.
A direita trava uma batalha contra esse projeto. As pesquisas mostram que a população alemã é hostil às mudanças, sobretudo à dupla nacionalidade.
Segundo as pesquisas, 52% seriam contra e apenas 39% a favor. Imediatamente, a esquerda disparou pesadamente suas armas contra os conservadores, lançando o mais grave insulto imaginável no país: ``A CDU é xenófoba.'
A CDU suavizou então rapidamente sua oposição. Propõe conceder a nacionalidade aos estrangeiros nascidos na Alemanha que não tenham mais de 27 anos. Melhor ainda: o Bild Zeitung, órgão da CDU, sugere a concessão de cursos de alemão aos filhos de muçulmanos.





