Washington, 14 (AE) - A decisão do governo brasileiro de desvalorizar o real e substituir o presidente de seu Banco Central em plena crise foi qualificada de ``extremamente grave' pelo professor de economia da Universidade de Maryland, Guillermo Calvo - um dos que previram a crise financeira mexicana de 1994.
``Foi uma atitude que afetou principalmente a credibilidade do Brasil, algo essencial para o funcionamento de seu programa econômico, e que obrigará o País a fazer agora um ajuste muito mais drástico que o previsto inicialmente', explicou à Agência Estado.
Calvo repetiu, de certa forma, comentários feitos ao longo dos dois últimos dias por funcionários do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e do Banco Mundial (Bird).
Quando resolveu recorrer a essas três organizações, para uma ``ajuda preventiva' de US$ 41,5 bilhões, o governo brasileiro fez questão de ressaltar que seria o único a decidir que medidas tomaria para proteger o real. E o primeiro passo foi obter, por escrito, o apoio do FMI, do Bird e do BID, à sua decisão de manter inalterada a política cambial.
``O Brasil simplesmente rompeu com a promessa que fez no programa de ajuste proposto ao FMI e isso é grave, porque afeta seriamente as expectativas sobre seu desempenho econômico', disse Calvo. ``É difícil manter a credibilidade, mudando de política e de presidente do Banco Central, no meio de uma crise', acrescentou.
Tanto Calvo, quanto o ministro da Economia da Argentina, Roque Fernandez, e funcionários do FMI acham que as medidas tomadas pelo Brasil servirão, no máximo, para conter a saída de bilhões de dólares do País. Mas nem de longe servem para solucionar a crise. ``Agora o ajuste fiscal terá de ser maior e mais drástico', disse Calvo. ``Só assim o Brasil poderá baixar suas altas taxas de juros, que é a saída mais barata para a crise.'
Como Calvo, Roque Fernandez tampouco vê outra solução para o Brasil além de um maior ajuste - o que, segundo ele, afetará a Argentina, na medida em que uma maior recessão leve a uma maior queda na demanda por parte do principal importador de produtos argentinos.
``A outra solução para a crise é que os países ricos resolvam contribuir com mais recursos para ajudar o Brasil, disse Calvo. ``Os US$ 41,5 bilhões são poucos para resolver a atual crise, mas uma contribuição maior é hoje politicamente inviável', acrescentou.
A Argentina - segundo Calvo - nada pode fazer agora, além de manter sua atual política monetária inalterada. ``Se mudar algo no meio da crise cometerá o mesmo erro que o Brasil.'

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