São Paulo, 14 (AE) - Os moradores do Edifício Elmo, em Perdizes, zona oeste de São Paulo, que segundo o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) corria risco iminente de desabar, estão mais tranquilos. Nenhum deles precisará abandonar suas casas. O problema é localizado e apenas o apartamento 11, de propriedade do engenheiro Luiz Felipe Proost de Souza, permanecerá interditado. Proost e a família já não estavam vivendo no local.
A decisão foi tomada no fim da tarde de hoje, após reunião entre o secretário municipal de Habitação, Lair Krahenbuhl, o diretor do Contru, Carlos Alberto Venturelli, os engenheiros Péricles Francisco Fusco e Adolfo Veirano, o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), André de Fazio, e o síndico do prédio, Júlio Néri, entre outros.
Foi uma reunião de confronto de laudos. Havia quatro que embasaram a decisão da Prefeitura de interditar o prédio - entre eles o do professor Fusco, que dizia que o Elmo corria risco ``iminente' de desabar caso não fossem feitos os trabalhos de escoramento. Outro laudo, assinado pelo engenheiro Adolfo Veirano, contratado pela administração do condomínio, foi apresentado apenas hoje. Ele afirma que o edifício não corre risco nenhum.
Segundo Krahenbuhl, a decisão de manter a interdição restrita apenas ao apartamento 11 - nem os proprietários do imóvel de cima que fizeram a troca do piso que provocou os problemas terão de sair - foi tomada depois que os peritos do Instituto de Criminalística (IC) estiveram no local pela manhã e constataram, ao abrir a laje do imóvel do segundo andar, que não houve sobrecarga excessiva. ``A densidade era menor do que a expectativa', disse o secretário. As avaliações do IC são iniciais. O laudo só ficará pronto dentro de 30 dias.
Para Fusco, um dos maiores especialistas do País, as informações de seu laudo são ``absolutamente lícitas', apesar de ' baseadas em estimativas aproximadas'. ``Serviu de alerta para que outras providências fossem tomadas e se pareceu que era um laudo conclusivo a culpa não é minha', defendeu-se. ``A situação agravou-se por causa do não-escoramento solicitado ainda em agosto', disse um constrangido Venturelli. ``Não podemos trabalhar com risco.' Proost estava revoltado. ``O síndico passou meses sem providenciar nada.'
Desde o fim da manhã, após a visita dos técnicos do IC, já se sabia que o problema não era tão grave. ``Não verificamos risco para os moradores', disse o perito Jayme Telles. Logo cedo Edson Gonçalves, assessor do condomínio, exibia material retirado do segundo andar com apenas 4 centímetros (1,5 centímetro de ardósia e 2,5 centímetros de massa), ante os 8 centímetros que se especulava antes da visita dos técnicos.





