São Paulo, 14 (AE) - Pacientes que usam o remédio Androcur, para câncer de próstata, estão tendo dificuldade de encontrá-lo nas farmácias. Das 25 drogarias visitadas pela reportagem apenas duas tinham o produto.
A demanda pelo Androcur em dezembro ultrapassou a capacidade produtiva da Schering do Brasil, que fabrica o medicamento. A empresa informou, em comunicado, que a ampliação da capacidade de produção permitiu o atendimento da demanda em janeiro. Mas muitas farmácias ainda não receberam o remédio, como ocorre com a Dropax, na zona norte de São Paulo, há dois meses.
O Laboratório Schering do Brasil informou que deve entregar amanhã quantidades extras do produto para as farmácias e pede para o consumidor com dúvidas ligar para 0800-551241.
Atraso - Para agravar a situação, quem recebe o remédio por intermédio do Estado pode ficar cerca de três meses sem recebê- lo. A espera é consequência da mudança do processo de distribuição de remédios contra câncer, pela Secretaria Estadual da Saúde. A causa da mudança, segundo a secretaria, foi uma portaria federal, divulgada em outubro.
O Ministério da Saúde informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que as modificações na portaria foram necessárias para acabar com a corrupção na distribuição gratuita desses remédios. A verba destinada a essa compra é, agora, repassada diretamente para a secretaria e não mais para os postos e hospitais. No momento, apenas cinco hospitais da capital estão distribuindo remédios quimioterápicos.
O paulista Moisés Ziskind recebia Androcur pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a mudança no processo de distribuição gratuita, Ziskind precisou inscrever-se em um dos cinco hospitais e, atualmente, está aguardando a consulta, marcada para daqui a dois meses. ``Somente após a consulta posso receber o remédio', informa. ``Vou ficar três meses pagando R$ 70 por um vidro com 20 comprimidos.' Para evitar o gasto, Ziskind está racionando sua última caixa de Androcur. ``Meu médico autorizou que eu tomasse dois em vez de três comprimidos por dia para economizar o último frasco.'
A secretaria está ciente dos problemas com as filas nos Hospitais A.C. Camargo, Instituto Arnaldo Viera de Carvalho, Santa Marcelina, Brigadeiro e Instituto Brasileiro de Controle do Câncer. Para reduzir o problema, o Estado pretende ampliar os postos de distribuição, mas ainda não efetuou nenhuma mudança.

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