São Paulo, 14 (AE) - O Ministério Público Estadual (MPE) confirmou hoje o sequestro de bens e o bloqueio das contas bancárias do fiscal Marco Antonio Zeppini, preso desde o dia 2 de dezembro do ano passado, após ter sido flagrado tentando extorquir uma comerciante na região dos Jardins. A ação vinha sendo mantida em sigilo pelos promotores para não atrapalhar as investigações sobre o esquema de corrupção na Administração Regional de Pinheiros, na zona oeste da cidade.
``Se divulgassemos antes, ele poderia ter tido tempo para se livrar dos bens', justificou o promotor Marcelo Mendroni, que investiga o caso. O confisco dos bens e o bloqueio das contas foi determinado no dia 23 de dezembro pela juíza Andréa Barreira Brandão, da 29ª Vara Criminal da Capital, atendendo a pedido do MPE. O objetivo da medida é impedir a transferência de bens adquiridos, em tese, com dinheiro ilícito.
O promotor Mendroni não soube informar quais bens foram sequestrados. O pedido de sequestro é consequência do processo que Zeppini responde por suspeiata de lavagam de dinheiro. No caso, os promotores basearam-se na movimentação bancária do fiscal. ``Os valores descobertos nas contas de Zeppini eram muito superiores ao salário que ele recebia na regional', disse Mendroni.
Apesar de ganhar cerca de R$ 2 mil por mês, os promotores descobriram em contas pessoais do fiscal valores superioes a R$ 15 mil. Ainda não foi definido o que acontecerá com o bens, caso Zeppini seja condenado pelos processos que responderá na Justiça. É que, segundo os promotores, é a primeira vez que é aplicada a Lei 9.613-98, que trata de lavagem de dinheiro. Uma das hipóteses é que o patrimônio seja incorporado ao erário. Procurado pela reportagem, o advogado de Zeppini, Sergio Alvarenga, não foi localizado.
Além de ser acusado de lavagem de dinheiro, os promotores ofereceram sete denúncias contra Zeppini por crime de extorsão. As denúncias foram baseadas em depoimentos de comerciantes e investigações realizadas pelo MPE. Além dele, outros seis fiscais da Administração Regional de Pinheiros também serão processados por corrupção.
Na próxima semana, os promotores investigarão as contas da supervisora de fiscalização da regional de Pinheiros, Maria Thereza Ribeiro de Castro. A quebra do sigilo bancário foi determinada ontem pelo Departamento de Inquéritos Policiais (DIPO), atendendo a solicitação do MPE. Maria Thereza é acusada de ser a número dois na hierarquia do esquema de corrpução na AR-Pinheros. Os promotores também querem descobrir o chefe de todo o esquema. Entre os suspeitos, estão incluidos vereadores paulistanos.

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