Ribeirão Preto, SP, 14 (AE) - Na contramão da onda demissões, a Indústria de Produtos Alimentícios Cory, de Ribeirão Preto, acaba de contratar 300 trabalhadores por um período de três meses para dar conta de sua produção de ovos de Páscoa. Outros 400 promotores de venda deverão ser contratados no mês que antecede a Páscoa. Ao contrário dos anos anteriores, no entanto, a Cory prevê que parte de todas essas novas vagas não deverá ser fechada após a Páscoa, mas pode ser mantida para a instalação de uma nova unidade fabril, que deverá produzir barras de chocolate. O investimento na nova fábrica ainda está sendo mantido sob sigilo, mas o diretor executivo da Cory, Nelson do Nascimento Castro, afirma que a empresa deverá crescer este ano entre 10% e 20%.
A estratégia da empresa para alavancar sua produção de chocolates, hoje restrita aos ovos de Páscoa com cobertura da Garoto, é o lançamento em território nacional do CBS (Cocoa Butter Substitute), ou melhor, um substituto da manteiga de cacau, que garante produtos até 20% mais baratos. O produto é um derivado de um vegetal chamado Palma, que vem sendo desenvolvido na Holanda e já é utilizado em outros países europeus para conter a demanda por manteiga de cacau diante da cada vez maior escassez do produto. O lançamento do produto no mercado deverá estar restrito às regiões Norte e Nordeste, que vão receber uma linha especial de ovos de Páscoa da Cory, chamados ``Puro Amor'. ``É importante lembrar que os ovos Hipopó continuarão com o mesmo chocolate ao leite. O teste será restrito aos ovos Puro Amor', salienta Castro.
A estimativa da Cory para este ano é de que 30% de sua produção total de ovos de Páscoa, que chega a 2,8 milhões de unidades, seja de ``Puro Amor'. Segundo a Associação Brasileira de Fabricantes de Chocolates e Balas (Abicab), a Páscoa deste ano deverá produzir 16 mil toneladas de chocolates, somente em formato de ovos de Páscoa. No ano passado, a Páscoa brasileira (Segunda maior do mundo, só perdendo para a Inglaterra) produziu 15.200 toneladas.
Faturamento - No ano passado, a Cory já registrou um crescimento de 18% em volume de tonelagem produzida e 14% em retorno financeiro, fechando 98 com um faturamento de R$ 65 milhões. ``Tivemos um ganho maior em quantidade, mas os nossos preços caíram e impediram um faturamento maior', explica ele. Segundo Castro, o ganho na produção foi obtido a partir de uma campanha dentro e fora da fábrica para eliminar os efeitos da sazonalidade, responsáveis por reduzir as vendas em até 30% entre os meses de novembro e fevereiro, devido, segundo ele, principalmente às férias escolares.
``Pelo menos nos dois últimos meses do ano e já no início de 99, sentimos que a campanha deu bons resultados', avalia. O diretor da Cory diz ainda que conta com pelo menos duas campanhas de marketing para garantir competitividade nos mercados de biscoitos recheados e de balas. No primeiro, que movimenta anualmente 1,1 milhão de toneladas anuais, a Cory conta com seu carro-chefe, o Hipopó, que possui uma participação de 10,13% no mercado do interior do Estado de São Paulo, o que corresponde à produção de 385 mil toneladas de biscoitos recheados.
``Apostamos tudo no lançamento do biscoito Hipopó em 89 e o crescimento do mercado nos mostrou que estávamos certos', afirmou. O mercado de biscoitos recheados cresceu 10% em 98 e passou a ocupar 35% da produção nacional de biscoitos, contra uma participação de apenas 5% em 90.
Já no segmento de balas refrescantes, a Cory disputa a liderança, ocupando 24% do mercado nacional, com sua bala IceKiss. A distribuição das balas, ao contrário do biscoito Hipopó, que se restringe ao mercado do interior paulista, é feita em todo o território nacional.





