Brasília, 14 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou hoje, por intermédio de seu porta-voz, Sergio Amaral, que a reação dos mercados financeiros ``é excessiva e exagerada'. Na visão do governo ``não há razão para esse nervosismo' porque ``o governo está fazendo tudo o que é necessário fazer do ponto de vista do ajuste fiscal', completou Amaral.
``Os fatos vão mostrar que (a reação) não se justifica', disse Fernando Henrique, segundo o porta-voz. O presidente viajou hoje, por volta de 17h, para descansar em sua fazenda Córrego da Ponte, localizada há 180 quilômetros no município de Buritis (MG) e deverá ficar lá até o domingo.
Amaral afirmou que ``possivelmente' o presidente sabia da queda das bolsas, depois do anúncio da saída do diretor de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, antes de embarcar para Buritis. ``O presidente está aqui perto', justificou Amaral. ``Não há razão para ele não fazer essa viagem.' Por volta de 18h, depois da entrevista coletiva às 16h, em que Mauch confirmou sua saída do BC, Amaral afirmou que a saída do diretor ``não estava sequer confirmada efetivamente'.
Ele acrescentou ainda sobre a demissão de Mauch:``É coisa que já vinha sido discutida, mas não sei se já está formalizada e se já se tem um prazo para a saída dele'. A demissão de Mauch foi apontada como principal causa da aceleração da queda das bolsas e cerca de 50 minutos após o anúncio, o circuit breaker da bolsa de valores de São Paulo foi acionado, em razão de queda superior a 10 pontos.
``O que se nota é que há um nervosismo excessivo nos mercados que tomam um fato corriqueiro - ainda nem inteiramente confirmado - como uma indicação, e provoca uma reação exagerada dos mercados', argumentou Amaral. ``Não estão levando em conta fatores mais importantes como o andamento muito rápido da votação das medidas fiscais no Congresso, por exemplo.' Amaral afirmou ainda não ter conhecimento de uma grande saída de dólares do País no dia de hoje. ``Até a metade da tarde, os valores eram substancialmente menores que ontem', disse ``Não sei como vai fechar porque com a queda nas bolsas é possível que haja uma saída maior do que vinha ocorrendo até meados da tarde.'
FMI - O porta-voz informou ainda que Fernando Henrique e o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Stanley Fischer, conversaram por um longo tempo ao telefone. ``O presidente apresentou sua visão do processo (e disse) que as coisas estão andando, que elas são viáveis, que o Congresso está apoiando e que, portanto, os fundamentos da economia estão sobre controle', ponderou Amaral.
``As medidas estão todas votadas, exceto uma, que será votada, não há, ao ver do governo, razões para esse nervosismo', completou, numa referência à derrota sofrida pelo governo na votação da criação da contribuição previdenciária para os aposentados do serviço público e o aumento da alíquota da contribuição para os servidores da ativa. ``Existe um nervosismo exagerado e os fatos vão mostrar que não há razão para esse nervosismo, essa volatilidade porque as coisas estão caminhando, o ajuste fiscal está progredindo, o Congresso votando, os acordos internacionais foram feitos.' Para Amaral, a imprensa internacional de hoje refletiu os fatos ocorridos ontem no exterior, mas não as medidas adotadas pelo governo brasileiro. ``Como é sabido as bolsas caíram, sobretudo as européias, mas (a imprensa internacional não refletiu) a reação positiva que houve no Brasil com a implantação do novo sistema cambial e o fato de que a saída de recursos foi muito menor do que se esperava.'
Amaral afirmou que o presidente não faz prognósticos sobre o tempo de duração da crise nos mercados financeiros e destacou que, depois da flexibilização do câmbio anunciada ontem, a reação foi melhor do que o esperado. ``A saída ontem foi menor que se esperava', destacou. ``É normal que haja saída num momento de desvalorização da moeda, mas isso está inteiramente dentro do limite do que é razoável e mesmo do que era esperado.'





