São Paulo, 14 (AE) - Ao ameaçar deixar o cargo em dezembro de 1995, o diretor de fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, que pediu demissão hoje, comparou Brasília a ``uma grande churrascaria'. A declaração foi dada em entrevista onde demonstrou indignação e mágoa com o processo de ``fritura política' que vinha sofrendo, diante dos boatos de que teria sido o responsável pelo vazamento de informações sobre a famosa ``pasta rosa', na época do escândalo do Banco Econômico. A pasta continha a lista de políticos que teriam sido apoiados pelo Banco Econômico em 1990. ``No momento oportuno vou contar o que sei', disse na época. Um mês antes a notícia sobre sua demissão chegou a ser transmitida às redações, por engano, por um assessor de imprensa do Ministério do Planejamento.
Durante a permanência no cargo, Mauch entrou em conflito aberto com o PSDB paulista no caso Banespa e foi alvo de pressões do PFL baiano no caso Econômico. O diretor foi indicado para o cargo pelo ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, no governo Itamar Franco. Após a ameaça de demissão Mauch foi confirmado no cargo, numa tentativa do BC de fortalecer-se institucionalmente para enfrentar as críticas e pressões políticas. Houve preocupação em deixar Mauch livre de outras atribuições.
A Diretoria de Normas, da qual Mauch foi titular, ficou na época com Alkimar Moura, que cuidava da Diretoria de Política Monetária, função assumida por Francisco Lopes. ``O Mauch é a pessoa mais indicada para o cargo neste momento', justificou Loyola, referindo-se à experiência do diretor.

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