São Paulo, 14 (AE) - O encarecimento do dólar não chegou a preocupar as agências de viagens que oferecem pacotes turísticos internacionais: a desvalorização de quase 9% do real encontrou as operadoras com as carteiras lotadas de contratos para o restante da temporada, incluindo o Carnaval, e para a Páscoa. Se houver um impacto mais agudo, ele só será sentido nas vendas de pacotes para as férias de julho, acreditam os empresários do setor. Eles disseram que o anúncio da desvalorização do real não trouxe problemas para as agências de viagem.
``Nossas operações estão acontecendo normalmente. Não tivemos problemas com clientes. Alguns hesitam em parcelar seus pacotes, temendo nova alta do dólar, mas são poucos', disse o diretor de marketing da Stella Barros, Fabio Cardoso. ``As operadoras já sabiam que, mais cedo ou mais tarde, esta desvalorização iria ocorrer. A crise apenas adiantou o inevitável', afirmou o diretor- geral da agência Tia Augusta, tradicional promotora de pacotes de viagem para a Disney, Paschoal Fortunato. ``Não estamos preocupados. Pelo contrário, estamos contratando', disse. Segundo ele, a desvalorização do real, embora encareça os seus programas turísticos cotados em dólar, irá permitir uma queda nas taxas de juros no médio prazo. Se isso ocorrer, as prestações ficariam mais suaves e mais acessíveis aos passageiros.
Cardoso disse que não há nenhuma previsão de queda nas vendas. A alta temporada, que se encerra no próximo dia 25 de janeiro, já está praticamente fechada, disse. Para os próximos feriados, de Carnaval e Semana Santa, alguns pacotes já estão esgotados, como Nova York e Punta Del Este. ``É possível que haja algum impacto negativo nos pacotes mais baratos mais adiante, mas nada significativo', disse Cardoso. A Stella Barros parcela os pacotes turísticos entre 3 até 15 prestações, dependendo da data de embarque do passageiro.
``Mesmo que os pacotes fiquem mais caros, as viagens internacionais hoje ainda são muito baratas', disse Paschoal Fortunato. Para os próximos feriados, a Tia Augusta ainda não registrou aquecimento nas vendas. Pelo contrário, a solicitação de pacotes está em torno de 10% menor que no ano passado. Mas a agência acredita que esse quadro irá melhorar com a proximidade do Carnaval e da Semana Santa.

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