Brasília, 14 (AE) - O Banco Central informou hoje que R$ 67 bilhões da dívida interna brasileira estavam, até novembro, indexados ao câmbio. Do estoque total da dívida federal interna em títulos, que chegou a R$ 319,927 bilhões, 21% eram, naquele mês, corrigidos pela variação cambial. O custo da desvalorização do real, de 8,96%, sobre o estoque desses títulos, foi de cerca de R$ 5,9 bilhões. Em um só dia de nervosismo dos mercados, portanto, o custo do endividamento brasileiro cresceu mais do que o resultado esperado com o mini-pacote anunciado pelo governo no final do ano passado, que é de R$ 5,4 bilhões.
O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Altamir Lopes, admitiu que o custo da dívida interna brasileira poderá subir, mas o impacto ainda não foi calculado. Ele observou, porém, que o possível aumento no custo poderá levar à necessidade de revisão dos termos do acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo admitiu Altamir. ``A mudança na banda cambial altera a evolução da dívida em dólar', disse ele. Por isso, é possível que alguns pressupostos que levaram às metas fixadas no acordo, como os gastos financeiros com a dívida, sejam alterados. ``Mas, se houver espaço para a redução dos juros, isso pode ser contrabalançado', observou.
Na opinião do economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, o País dificilmente escapará de rever as metas para o primeiro trimestre de 99. Ele explicou que o aumento do custo da dívida denominada em dólar produzirá impacto mais forte num primeiro momento.
``Se tudo der certo, o governo poderá compensar facilmente esse aumento de custo com a redução dos juros', observou. No entanto, acredita ele, essa compensação levará algum tempo e, por isso, as contas do primeiro trimestre deverão ficar fora do previsto.
Líquida - A dívida líquida do setor público chegou, em outubro, a 40,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 367,747 bilhões, segundo dados divulgados hoje por Altamir Lopes. Foi um crescimento de 2,48% com relação a setembro, quando o estoque da dívida era de R$ 358,841 bilhões, ou 39,7% do PIB.
A dívida em títulos públicos federais subiu de 32,2% do PIB, em setembro, para 34,8% do PIB, em outubro. Segundo Altamir, esse crescimento se deveu ao fato de os depósitos compulsórios sobre depósitos a prazo, que eram em espécie, passaram a ser feitos em títulos. Houve, ainda, uma emissão de certificados do Tesouro Nacional indexados ao câmbio em favor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na aquisição de créditos contra os Estados que estavam em poder da instituição.
Externa - O saldo da dívida externa líquida, em outubro, chegou a R$ 51,485 bilhões, ou 5,7% do PIB, contra R$ 48,203 bilhões, ou 5,3% do PIB em setembro. Do estoque em outubro, a maior parte eram dívidas do governo federal e do Banco Central: R$ 30,915 bilhões. Os governos estaduais deviam, em outubro, R$ 5,143 bilhões. A dívida dos municípios era de R$ 636 milhões e a das empresas estatais somava R$ 14,791 bilhões.





