Brasília, 14 (AE) - A Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) quer criar um programa de desenvolvimento e regulamentação do varejo para proteger os lojistas brasileiros, especialmente os do interior, do avanço das grandes cadeias estrangeiras que estão se instalando no País. Para isso, o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Carlos José Stupp, veio solicitar, hoje, o apoio do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, ao projeto. ``A idéia é elaborar um projeto de lei que regulamente a instalação de hipermercados e shopping centers', disse Stupp após ser recebido em audiência pelo ministro.
Stupp informou que com base em legislação da França, Inglaterra, Espanha e Estados Unidos, a entidade apresentará uma proposta básica de regulamentação do varejo ao ministro Celso Lafer nos próximos dias. Um dos pontos da proposta deverá ser a instituição de algum parâmetro que limite a instalação dos grandes estabelecimentos de varejo, principalmente no interior do País, considerando o número de habitantes por metro quadrado, disse ele. ``Hoje existe total liberdade no mercado brasileiro. Não há nenhuma lei limitando a ação do varejo', explicou, dizendo que a intenção é antecipar a disseminação das lojas das grandes redes no País. Como exemplo, citou a americana J C Penney, que comprou a tradicional Lojas Renner, do Rio Grande do Sul, a Wall Mart e o Carrefour, que já estão instalados em diversos pontos do Brasil.
Para obter mais informações sobre modernização do comércio varejista, Carlos Stupp disse que uma missão empresarial, formada por 120 lojistas e executivos do varejo, embarca amanhã para Nova Iorque, onde vai participar da 88º Convenção da National Retail Federation (NRF), maior evento no gênero no mundo. A convenção ocorrerá de 16 a 21 deste mês, e durante esse período, serão realizados seminários com os principais executivos do mercado norte- americano, lançamento de pesquisas de mercado, e uma exposição com 400 fornecedores do setor, informou Stupp.
Impostos - O presidente da CNDL também disse que conversou com o ministro Celso Lafer sobre a necessidade de reduzir as taxas de juros e de aprovar uma reforma tributária que diminua o número de impostos e amplie a base tributária. Ele informou ao ministro que o faturamento do comércio varejista foi de US$ 180 bilhões, e que o setor emprega 60% dos 65 milhões de trabalhadores do País, incluindo as áreas de comércio e serviços. Stupp também disse ser preciso regulamentar o mercado informal, que domina cerca de 30% dos estabelecimentos varejistas, para que estes paguem impostos. ``Queremos que o Ministério seja nosso canal de interlocução com o governo, porque até hoje sempre tivemos tratamento discriminado com relação ao oferecido à indústria', afirmou.
O presidente da CNDL disse que embora o setor não tenha apresentado crescimento no faturamento de 1998 com relação a 1997, o grau de inadimplência no varejo reduziu em 17% na comparação dezembro 1998 com igual mês do ano anterior. A razão da queda, conforme ele, foram os juros altos. ``O consumidor está comprando à vista ou em prazos mais curtos', observou. Informou que também houve uma redução do número de cheques devolvidos em função de maior controle exercido pelo varejo.
Segundo ele, a maior parte dos cheques devolvidos corresponde a correntistas cujas contas têm menos de um ano de abertura. Para se prevenir contra os cheques sem fundos emitidos por adolescentes, por exemplo, Stupp informou que muitos lojistas estão fazendo um tipo de securitização dos cheques. ``Eles pagam 3% do valor do cheque ao SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) e têm a garantia de que serão ressarcidos pelo SPC se não houver fundos suficientes', informou.
Stupp disse ainda que este primeiro semestre deverá ser difícil para o comércio como um todo, em função dos juros altos e a partir desta semana, pelos custos que a desvalorização cambial de 9% decretada pelo governo deverá causar. Quem tem contrato em dólar deverá ter seus estoques elevados em 9%, afirmou, reconhecendo, por outro lado, que o alargamento da banda cambial também acabará favorecendo o comércio, porque irá restringir um pouco as importações.

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