São Paulo, 14 (AE) - A desvalorização do real em até 15% este ano provocou o descrédito da indústria automobilística em relação à conduta da política econômica. O medo do ``que vem por aí' marcou hoje os bastidores do setor que publicamente aplaudiu a medida. De cara, os fabricantes consideram que o real já sofreu uma maxi. Apesar da crise no mercado, a indústria também já fala em reajustar preços por conta do repasse do aumento de custos com peças importadas.
O medo que o governo tinha de não provocar inflação no primeiro mandato é agora o receio da indústria automobilística. O setor, que tem a força de representar 12% do PIB industrial, apostou no Plano Real e agora não sabe mais se o governo vai conseguir manter a linha de conduta do programa.
Uma fonte do setor lembra que a grande vantagem do Plano Real era a estabilidade. Foi com base nessa expectativa de estabilidade, lembra, que o setor resolveu investir no Brasil. As montadoras anunciaram investimentos em novas fábricas e ampliação das já existentes. Ao longo do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso foram prometidos mais de US$ 20 bilhões em novos projetos.
A análise fria dos executivos do setor hoje levou à conclusão de que a ampliação da flutuação cambial anunciada será insuficiente. A indústria automobilístixca conta com a posição confortável de grande exportador. Em 1998 faturou US$ 4,925 bilhões com vendas ao exterior.





