Brasília, 14 (AE) - A renúncia do diretor de Fiscalização do Banco Central, Cláudio Mauch, anunciada hoje (14) à tarde, irritou o presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao contrário do que imaginava o diretor, o anúncio da sua decisão, um dia depois da tumultuada saída do ex-presidente do BC, Gustavo Franco, voltou a provocar turbulências no mercado. Segundo admitiram fontes do governo, foi ``falta de sensibilidade de Mauch' comunicar sua saída com o mercado aberto.
Mesmo irritado, o presidente Fernando Henrique considerou a reação do mercado à saída de Mauch ``excessiva e exagerada' e, segundo informou o porta-voz, Sérgio Amaral, o presidente assegurou que ``os fatos vão mostrar que (a reação) não se justifica'. Duas horas depois da entrevista dada pelo diretor às 16 horas, Amaral informava que a saída de Mauch não estava nem sequer ``confirmada efetivamente'.
Surpreendido com a toda a repercussão da sua entrevista, o diretor divulgou uma nota no Banco Central reafirmando sua saída. Na nota, ele considerou ``um desrespeito as insinuações de que estava deixando a diretoria de Fiscalização em função de possíveis problemas existentes em quaisquer institutuições financeiras'.
Por causa da irritação do presidente, no entanto, os ministros da Casa Civil, Clóvis Carvalho, e da Fazenda, Pedro Malan, entraram em campo tentando apagar o incêndio e convencer Mauch a permanecer no cargo. Importantes fontes do governo garantiram que, depois da conversa, Malan comunicou ao Palácio do Planalto que Mauch fica. O diretor, no entanto, não confirmou esta decisão. Na nota, ele repetiu a afirmação feita na entrevista de que fica na diretoria até a escolha de seu substituto.
O diretor não chegou a convocar uma entrevista coletiva.
Com o conhecimento do novo presidente do BC, Francisco Lopes, ele desceu à sala de imprensa da instituição e informou aos jornalistas que fazem a cobertura do banco a sua decisão de deixar o BC. Em pé e descontraído, Mauch assegurou que estava saindo por motivos ``estritamente pessoais'.
Ele disse estar cansado de fazer, semanalmente, a ponte aérea entre Brasília e Porto Alegre, onde mora sua família.
``É muito sacrifício pessoal, estou em déficit com a minha família', afirmou.
Mauch descartou que sua decisão de sair tenha sido motivada pelas mudanças no Banco Central e disse ter avisado seu plano ao ex- presidente do BC, Gustavo Franco, em setembro. ``Eu disse que sairia em janeiro', assegurou. O diretor também destacou ter um excelente relacionamento com Francisco Lopes.
``Teria o máximo prazer de trabalhar com o Chico e com toda a equipe', afirmou.
Convidado para a diretoria de Normas pelo ex-presidente do BC, Paulo César Ximenes, em 1993, Mauch foi transferido para a diretoria de Fiscalização quando Gustavo Loyola assumiu, pela segunda vez, a presidência do BC em 96. O diretor foi responsável pela reestruturação do sistema financeiro que passou pela criação do Proer e as intervenções nos bancos Nacional, Bamerindus e Econômico.





