Brasília, 14 (AE) - O presidente do Congresso Nacional, Antonio Carlos Magalhães, entrou hoje na negociação com os demitidos pela Ford. Ao receber o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Luiz Marinho, ACM sugeriu a realização de uma reunião na próxima semana para debater alternativas que evitem novas demissões e que permitam a criação de condições para discussão sobre o retorno dos demitidos ao trabalho.
Segundo Marinho, o presidente do Congresso disse que quer estar presente ao encontro e sugeriu a participação do presidente Fernando Henrique Cardoso. ACM também teria assumido o compromisso de falar com o presidente e com o ministro do Trabalho, Francisco Dornelles, sobre as demissões. ``O presidente do Congresso aprovou as nossas iniciativas e valorizou as nossas ações na Ford', disse Marinho.
Após o encontro com ACM, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC esteve com o ministro do Trabalho. No encontro, ficou acertado que Marinho encaminhará a Dornelles na próxima semana uma proposta que segundo o sindicalista provocará aumento do consumo e da arrecadação pela União e pelos Estados. A fórmula para conseguir isso seria por meio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), na esfera federal, e do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), no plano estadual, além da diminuição da margem de lucro das empresas que participam da cadeia produtiva, especialmente as montadoras.
Dornelles também se encontrou hoje com o presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto. O ministro disse que foi apenas um primeiro contato, pois o setor automobilístico é extremamente importante para a geração de emprego. Em entrevista a jornalistas, o ministro disse que está na hora de pensar em ter menos lucro e mais produção. Segundo o ministro, os empresários tem de ter uma responsabilidade social, evitando políticas de desemprego. ``É extremamente penoso verificar que uma empresa vai colocar 2,8 mil pessoas na rua', disse Dornelles.
Francisco Dornelles disse que não deve ser criada uma expectativa de que haverá redução de impostos. O ministro do Trabalho afirmou que somente encaminhará o projeto de Marinho à área econômica do governo se ficar seguramente provado que a proposta permite aumento da arrecadação e dos níveis de emprego e melhorias para os consumidores. Se tudo isso for atendido e se a proposta for colocada em prática com sucesso, Dornelles disse que o País estará dando um grande passo político e sindical. O ministro fez questão de ressaltar que o esforço fiscal é prioritário e que o ajuste exige aumento da arrecadação.
No encontro com Dornelles, Marinho também defendeu a renovação da frota nacional. O sindicalista disse que a frota atual é de 18,5 milhões de veículos entre automóveis, caminhões e ônibus. Desses, 5,5 milhões têm mais de 15 anos de uso, de acordo com o sindicalista.
``Esses veículos geram poluição, acidentes e criam problemas no trânsito', afirmou. Para trocar um carro velho por um novo, o dono deixaria o veículo em centros de reciclagem, que seriam novas frentes de trabalho, segundo o sindicalista. Em troca, receberia um bônus para ter desconto na compra de um automóvel novo.

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