São Paulo, 14 (AE) - Metalúrgicos do Rio Grande do Sul promoveram hoje ocupações simbólicas em revendedoras de veículos da marca Ford para protestar contra a decisão da montadora de demitir 2,8 mil empregados da fábrica do ABC e afastar 600 de Taubaté, 250 dos quais condenados à demissão no meio do ano.
Os manifestantes fizeram atos políticos em três grandes concessionárias do Estado. Permaneceram algumas horas fazendo discursos para empregados e eventuais consumidores. Só aceitaram sair das lojas quando os proprietários concordaram em enviar fax para a Ford relatando os protestos.
O vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre, José Luiz Stédile, contou que a ocupação pacífica da revenda Montreal começou cedo e só terminou às 12h30. Cerca de 150 sindicalistas e trabalhadores participaram.
Em São Leopoldo, a concessionária Hennemann recebeu 60 manifestantes, de acordo com o tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, Paulo Chitolina, que participou da ocupação. Também em Caxias do Sul houve protestos, na revendedora Sinossera, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, Jorge Antonio Rodrigues, com a participação de 50 pessoas. O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, informou que as próximas ocupações serão feitas em Minas Gerais.
ABC - A Ford enviou carta aos demitidos de São Bernardo do Campo, orientando-os a buscar numa agência bancária local o dinheiro referente às indenizações trabalhistas. Para sindicalistas, a decisão representa a falta de disposição da montadora para negociar a reversão das demissões.
A empresa explicou que, por lei, deve disponibilizar as verbas da rescisão contratual dez dias depois do desligamento. O prazo terminou na quarta-feira, dia em que os trabalhadores fizeram protestos e passeata na cidade contra o corte de 41% do efetivo. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC recusou-se a acompanhar as homologações.
Em assembléia hoje pela manhã, os metalúrgicos foram orientados a não receber o dinheiro e nem assinar cartas referentes ao fim dos contratos. Novamente, demitidos e empregados ocuparam a fábrica, que está há nove dias sem produzir.
Já em São Paulo, funcionários da Ford Ipiranga pediram prazo até quarta-feira para apresentar à empresa alternativas que evitem a demissão de 600 excedentes, de um total de 1,8 mil empregados. Eles farão plenária sobre o assunto na terça-feira.

mockup