São Paulo, 14 (AE) - ``Nuvens negras vindas do Brasil' é o assunto de capa da edição desta semana da revista inglesa ``The Economist', com data do próximo dia 16, que mostra os efeitos das mudanças na política cambial nos mercados doméstico e internacional. No ano passado, o presidente Fernando Henrique Cardoso também foi capa da revista. ``The Economist' é inconclusiva sobre o futuro da crise.
``O Brasil despencando' ocupa a abertura da seção de Finanças e Economia da revista. Já na segunda semana do ano de 1999, os mercados internacionais foram surpreendidos por má notícias brasileiras: a moratória de Minas Gerais, a saída de Gustavo Franco do Banco Central e a mudança no sistema cambial, que resultou numa desvalorização de 8% do real, embora o governo, e o FMI, tenham discutido longamente sobre a manutenção do sistema de bandas, que levava a desvalorização gradual.
Apesar da reação inicial do mercado, com a queda abrupta e acentuada da Bolsa de Valores, ``The Economist' ponderou que o pânico não durou muito tempo. Embora alguns funcionários do Fundo Monetário Internacional tenham dito que o Brasil seria ``Rússia, segundo tempo', os mercados pensaram de outro jeito. A resposta inicial foi bem diferente daquela dada após ao anúncio da moratória russa, no último mês de agosto. O pânico não se repetiu.
``The Economist' faz a seguinte pergunta: Os investidores verão a crise brasileira como mais uma oportunidade de compra? E responde: Provavelmente não.
Mas pondera, em seguida: ``Embora os problemas brasileiros possam ser o catalisador para uma queda dos mercados, não serão a causa de uma derrocada do mercado financeiro global.'
Apesar da repercussão desta semana do drama brasileiro ter sido controlada, ``The Economist' ponderou que há muitas razões ainda para se preocupar sobre os mercados financeiros e a economia mundial. Cita os problemas no Japão, nos países asiáticos e na Rússia. Mais do que tudo, há ainda a sobrevalorização em Wall Street. Um operador da Bolsa de Nova York comentou a atual crise com a ocorrida no ano passado, dizendo que ``ninguém se machuca no final'. A revista, no entanto, disse que talvez, neste ano, o script da história tenha sido mudado.

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