Borrazópolis – Os dois assaltos violentos a bancos nos últimos dois meses, aliados a escaladas nos índices de furtos e roubos a residências, casas lotéricas, agências de correios e de veículos, foram o estopim para colocar a segurança pública do Vale do Ivaí em xeque. A região, localizada no Norte do Estado, possui 26 municípios, e uma população acostumada com a vida pacata e tranquila. A maioria das cidades não tem mais de 15 mil habitantes. Mas as sucessivas ações criminosas, incluindo o assalto com tiros de fuzis que coagiu cerca de 40 reféns em frente às agências do Banco do Brasil e do Sicredi em Borrazópolis (123km de Londrina), romperam com o habitual silêncio, revelaram a insegurança sentida pelos moradores e levantaram questionamentos sobre a estrutura dos órgãos de segurança pública.
A suspeita da polícia é que o assalto cinematográfico da semana passada, com reféns feitos de escudo pela quadrilha na calçada, não foi o primeiro no Vale do Ivaí. No início de maio, criminosos armados com fuzis renderam um policial militar em Kaloré, município com quase 4,5 mil habitantes a 16km de Borrazópolis, e foram até uma agência bancária, onde fizeram mais dois reféns, o gerente e o vigia do local. Durante o assalto, o PM ficou sob a mira do fuzil em frente ao banco para impedir a chegada dos outros policiais. Na fuga, os três reféns só foram liberados na saída do município, sendo que o vigia foi levado no capô do carro, assim como no assalto do último dia 14 em Borrazópolis.
Além das ações violentas nos bancos, o aumento de outros crimes também assusta os moradores. O agricultor Rui Takaki disse que o número de arrombamentos nas residências de Borrazópolis aumentou nos últimos anos e que muitos vizinhos tiveram objetos furtados durante o dia. "Eu estava dentro da minha casa e tentaram arrombar a porta. Aqui sempre foi muito tranquilo, mas agora, quando aparece um carro com placa de fora, fica todo mundo desconfiado", afirmou o morador nascido no município que tem atualmente cerca de 7 mil habitantes.

- INSEGURANÇA - A escalada da violência no Vale do Ivaí
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MOBILIZAÇÃO

Segundo o presidente do Conselho de Segurança (Conseg) de Borrazópolis, Anderson Luiz Machado, o município tem sete policiais militares e uma viatura nova. Para melhorar os investimentos públicos no setor de segurança, ele informou que o Conseg deve adquirir um fuzil para o destacamento da PM e nove câmeras para vigilância de quatros pontos, considerados rotas de fuga. "A população é a mais prejudicada quando o Estado não investe na segurança. Por isso, diferentes setores estão mobilizados no levantamento de recursos para prevenir a prática de outros crimes como o assalto ao banco, que teve uma repercussão negativa e gerou pânico e frustração nos moradores", comentou.
Ele também informou que o Conseg trabalha com o projeto vizinho solidário para formação de núcleos de vigilância comunitários a fim de coibir as invasões em domicílios. Além disso, Machado lembrou que o atendimento da Polícia Civil passou a ser realizado três vezes na semana na delegacia do município neste ano após um pedido do Conseg. "Antes, um representante da comarca de Faxinal realizava o atendimento apenas uma vez por semana", recordou.

ROUBOS E FURTOS


A sensação de insegurança nas ruas do Vale do Ivaí é confirmada pelas estatísticas da Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico da Secretaria de Segurança Pública (Sesp). De acordo com os dados da Área Integrada de Segurança Pública (Aisp), o número de furtos em residências subiu 18,5% no primeiro trimestre deste ano na região de Apucarana, principal cidade do Vale do Ivaí. Nos três primeiros meses de 2015 foram registradas 429 ocorrências contra 362 furtos no mesmo período do ano passado. O aumento é ainda maior nos casos de roubos quando os criminosos ameaçam ou usam de violência contra a vítima. No primeiro trimestre, 44 roubos em residências aconteceram na área de Apucarana e Vale do Ivaí, o que representa crescimento de 100%. No comércio, ainda segundo as estatísticas da Sesp, o número de furtos aumentou 26%, e roubos, 13,2% na região nos primeiros meses do ano. Além disso, os roubos a veículos cresceram 168% no primeiro trimestre, com 43 ocorrências.
Em Kaloré, comerciantes optaram pela contratação de vigilância particular para rondas noturnas. O custo pelo serviço é dividido entre os lojistas. A comerciante Nice Siqueira tem uma loja de confecção em frente à agência bancária, que voltou a ser assaltada no início deste mês. "Quando eu abri a loja, deixava a porta estragada sem trancar. Hoje em dia, não dá mais pra fazer isso", disse. No segundo assalto deste ano ao banco Sicredi, a polícia conseguiu prender um criminoso em flagrante com R$ 21 mil e um morador de Borrazópolis que dava cobertura ao grupo, que assaltou simultaneamente uma agência dos Correios.

EFETIVO

A PM de Kaloré atende no prédio da antiga delegacia, já que a Polícia Civil foi desativada. Quatro policias trabalham no município com duas viaturas sucateadas. O comandante do destacamento, subtenente Nilson Antoniassi, disse que a proximidade com os outros municípios ajuda quando os policiais de Kaloré precisam de apoio para atendimento de ocorrências. "Além do efetivo, também existe a necessidade de armamento", acrescentou. Sobre a desativação da delegacia, Antoniassi explicou que boletins de ocorrências unificados são realizados no atendimento à população e os dados enviados pelo sistema informatizado para a Polícia Civil de Jandaia do Sul.
A delegada Waleska Souza Martins informou que atende os municípios de Marumbi, São Pedro do Ivaí e Bom Sucesso, Kaloré, além da sede da comarca, que possui três escrivães e quatro investigadores que trabalham em regime de plantão para atendimento da carceragem com capacidade para até 20 presos. Após a fuga de 10 detentos por um túnel, a prisão abriga cerca de 50 presos. "Um dos problemas atuais é a falta de agentes para atendimento das cadeias, principalmente nos casos de superlotação", afirmou a delegada de Jandaia do Sul.

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