O casal Erik Pescare e Gisele Palma levou um susto quando a filha de um ano de idade engoliu a pequena bateria que estava dentro de um brinquedo. "A avó percebeu a ausência da bateria após cerca de 30 minutos. Fizemos uma pesquisa na internet e, em seguida, ligamos para a pediatra, que recomendou a ida até o hospital", lembrou o pai.
De acordo com ele, a família foi até o Hospital Infantil de Londrina, onde um exame raio-x foi realizado, e constatou a presença da bateria no estômago da criança com necessidade de uma endoscopia para retirada do objeto antes da chegada ao intestino para evitar um procedimento cirúrgico. A partir deste momento, Pescare disse que a família viveu momentos de tensão. Sem profissional especialista na escala de plantão, a menina foi levada para outro hospital, onde um médico realizou o procedimento após três horas. "Ligamos diversas vezes para o plano de saúde, mas não recebemos nenhum retorno sobre médicos especialistas de plantão para a endoscopia na cidade. Graças a Deus, o atendimento da equipe do hospital foi rápido e o procedimento evitou a cirurgia", afirmou.
Em Marialva, no Noroeste, o menino Kauã da Silva Carvalho, 10 anos, não teve a mesma sorte. A criança voltava da escola na manhã da última sexta-feira, quando passou mal e foi encaminhada até o Pronto Atendimento Municipal (PAM), onde deu entrada já em óbito, segundo a nota divulgada pela prefeitura. "A equipe médica verificou que o menino estava com o canal de acesso aos pulmões obstruído por um balão de látex", informou o município.

PREVENÇÃO

A ONG Criança Segura divulgou ontem a avaliação dos dados do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre acidentes na faixa etária de 0 a 14 anos, em comemoração ao Dia Nacional da Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes, celebrado no próximo domingo. De acordo com o levantamento, entre 2012 e 2013 houve uma redução de 2,24% na mortalidade por acidentes no Brasil, acima da média dos últimos anos. Em treze anos, a queda no número de óbitos foi de 32%. "Hoje, as pessoas têm menos filhos com um planejamento maior, o que aumenta a proteção", justificou a coordenadora nacional da ONG, Gabriela de Freitas.
Os acidentes foram responsáveis por 4.580 mortes em 2013, sendo que 38% das ocorrências são provenientes do trânsito, entre elas, atropelamentos e outras situações envolvendo veículos de passeio, motos e bicicletas. Em seguida, aparecem os casos de afogamento (24%), sufocação (18%), queimaduras (6%), quedas (5%), intoxicação (2%) e armas de fogo (1%). "O principal objetivo é mostrar quais as áreas onde as crianças correm mais riscos. Elas estão explorando o mundo e não reconhecem os perigos e por isso, os pais devem se preparar", afirmou.
De acordo com a pesquisa, a maior causa de mortes por acidentes em menores de 1 ano é a sufocação com 70% dos casos. Entre 1 e 4 anos, o afogamento representa 34% dos óbitos. Já a partir dos 5 anos, o trânsito é o principal motivo das mortes por acidentes até 9 anos, responsável pelo óbito de cerca de 50% das vítimas, percentual semelhante da faixa etária entre 10 e 14 anos.

MORTE SÚBITA


O presidente da Associação Paranaense de Pediatria, Gilberto Pascolat, esclareceu que a síndrome da morte súbita é a principal causa de morte entre os bebês e está ligada à posição durante o sono. "Nem sempre a sufocação é confirmada. No entanto, o mais recomendado é colocar a criança para dormir de barriga para cima, o que facilita a respiração, e deixar o mínimo de coisas no berço, como enfeites e objetos que podem sufocar a criança", recomendou o médico, que ainda aconselhou que o berço fique no quarto dos pais para acompanhamento durante a noite. Além disso, ele afirmou que a família deve realizar as refeições na mesa com a televisão desligada para evitar distrações, principalmente a partir do momento em que a criança começa a comer alimentos sólidos.

AFOGAMENTOS

A oficial de comunicação social do Corpo de Bombeiros, tenente Rafaela Diotalevi, afirmou que os pais devem realizar "supervisão contínua" para evitar afogamentos dentro e fora de casa, além do isolamento de áreas de risco como piscinas e lavanderias, com a utilização de portões ou grades. "Caso aconteça o acidente, os pais devem procurar socorro, mas o ideal é ter noção de primeiros socorros para aumentar as chances de sobrevida", acrescentou.

INTERNAÇÕES

De acordo com o governo federal, aproximadamente R$ 83 milhões foram gastos em 2014 no SUS com o atendimento destas crianças acidentadas. No ano passado, mais de 122 mil crianças foram hospitalizadas em decorrência dos acidentes. Entre as principais causas das internações estão as quedas (47%) e queimaduras (16%). "Recomendamos proteger as quinas dos móveis, telas nas janelas e portões no pé e no topo das escadas, além de equipamentos na prática de esportes. Para evitar queimaduras, os pais devem tomar cuidado com a cozinha e retirar a toalha de mesa nas refeições e ainda devem proteger as tomadas da casa", aconselhou a coordenadora da ONG Criança Segura.

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