Londrina – Estabelecimentos que usavam caixas eletrônicos como chamariz para atrair a clientela, agora rejeitam o equipamento sem sequer hesitar. O principal motivo dos terminais de autoatendimentos se tornarem cada vez mais raros em locais como postos de combustível, farmácias e supermercados é a insegurança, afirmam entidades sindicais ligadas ao setor bancário.
"Em Curitiba, as pessoas se habituaram a usar o caixa eletrônico após reabastecer o carro em algum posto. Hoje, isso não existe mais. É muito difícil encontrar um posto que tenha caixa eletrônico", conta João Soares, presidente da Federação dos Vigilantes do Paraná. "Há uma retirada em massa por falta de segurança", afirma. A entidade, no entanto, não dispõe de uma estatística sobre a redução do número de terminais.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina, Wanderley Crivelari, os terminais de autoatendimento interessam cada vez menos aos comerciantes porque eles são instalados sem uma estrutura de segurança adequada. "Os bancos não se interessam pela segurança do cliente, tampouco do estabelecimento que aluga o espaço para colocar o equipamento. Colocam os caixas eletrônicos em qualquer lugar, sem se preocupar com possíveis ataques."
Crivelari lembra que a responsabilidade pela segurança do cliente é dos bancos, mas que isso não acontece nos casos das máquinas que se espalharam pelo comércio.
Soares concorda e diz que nos casos de ataques com explosivos somente o estabelecimento comercial perde. "Os equipamentos e o montante que está no interior do caixa são segurados, mas os comerciantes têm que arcar com os prejuízos causados pela explosão."
O líder sindical dos vigilantes acredita que o risco de perda financeira com a explosão é o principal motivo dos pedidos de retirada dos equipamentos. "Mesmo recebendo pelo aluguel, que gira em torno de R$ 300 por máquina, o comerciante hoje avalia que não vale a pena."
Os vigilantes dizem que a redução significativa no número de caixas eletrônicos 24 horas fora das agências vai fazer os ataques se tornarem ainda mais comum. "As quadrilhas não terão outra alternativa", presume Soares.
O gerente Marcos Keith Fujita, do Posto Tiradentes, aberto 24 horas por dia na esquina da avenida homônima com a Rio Branco, na zona oeste de Londrina, disse que os donos de postos estão convictos de que a instalação de um caixa eletrônico não é um bom negócio. O posto já contou com um terminal, retirado há dois anos por ser considerado um atrativo para criminosos. "Nem se pagassem mil reais por mês toparíamos reinstalar a máquina. Simplesmente porque nos tornaríamos um ponto mais visado pelos bandidos", explica Fujita, que ainda não retirou a placa na loja de conveniência indicando a presença do caixa eletrônico.
Ele diz que no setor de postos de combustível poucos ainda se aventuram a manter um terminal de autoatendimento e os que ainda têm máquinas instaladas são os que não funcionam na madrugada. "Ainda assim é um risco e muitos estão aguardando apenas o fim do contrato para retirar o equipamento."
No posto do outro lado da Rio Branco, o Shangri-Lá, o terminal foi retirado no ano passado. "Chama muito a atenção, não temos mais interesse, não vamos dar sopa ao azar", afirmou o gerente Devanir Pires de Campos. Segundo ele, a decisão de retirar a máquina aconteceu logo após a prisão de uma quadrilha que planejava um ataque ao local.
O fenômeno se repete em outras cidades da região. Depois de dois ataques, um deles com explosivos, o Auto Posto Breda, à margem do trecho urbano da BR-369 em Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), decidiu retirar o caixa eletrônico e no local criar vagas de estacionamento. "A explosão aconteceu cerca de 20 metros de distância do reservatório de óleo diesel. Um risco muito grande para funcionários e clientes."
O gerente Marcelo Antonio Alves, da filial do Supermercado Verona, na Rua Pintarroxo, também em Arapongas, ainda aguarda a retirada do terminal, mas já rescindiu o contrato de aluguel com o banco. A empresa teve um prejuízo de cerca de R$ 5 mil com o ataque de seis homens encapuzados que usaram uma picape para destruir uma porta de vidro da loja e tentar levar o terminal bancário. A rede chegou a ter caixas eletrônicos nas 13 lojas, mas hoje apenas cinco delas têm o equipamento.

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