Em 2011, Jady Malavazzi colocou seu nome entre as boas promessas do paraciclismo brasileiro ao conquistar o vice-campeonato dos Jogos Parapan-americanos, no México, logo em sua primeira competição internacional. Três anos se passaram e a competidora nascida em Jandaia do Sul (Norte), uma das pioneiras da modalidade no Brasil, se consolida a cada campeonato, caminhando a passos largos para deixar de ser uma aposta e tornar-se realidade.
Em território brasileiro, ninguém venceu mais que ela na categoria H3. A paranaense faturou com sobras os últimos quatro nacionais. O quarto lugar na etapa espanhola da Copa do Mundo, em 2013, foi mais uma amostra do que ela era capaz. E este ano foi o da consolidação para a jandaiense, que passou a integrar o 'top 10' do mundo ao conquistar o 10º lugar na disputa de seu primeiro Mundial, nos Estados Unidos, em setembro.
Na categoria mais equilibrada do paraciclismo internacional, Jady, que é a atleta mais nova entre as dez melhores do mundo, aproveita a convivência com as rivais para ganhar rodagem. "Tenho concorrentes muito fortes e experientes. Cada dia que passa chegam mais atletas e a disputa é acirrada. Por isso, a participação em provas como essa (Mundial) é fundamental para adquirir experiência", destaca.
Neste processo, um fator tem se mostrado um diferencial. Em julho de 2012, a jandaiense deixou o Norte do Paraná, onde enfrentava inúmeras dificuldades para treinar, para desfrutar de uma melhor estrutura de trabalho e estudar em São Paulo, seguindo uma orientação de seu técnico, Tiago Gorgatti. Com os bons resultados, novos apoios também começaram a aparecer e Jady já conta hoje com três patrocínios pessoais (Caixa, Vemex e Shimano), além de uma bolsa de estudos na FAAP, onde cursa Arquitetura e Urbanismo.
Dentro das pistas, no entanto, muita coisa ainda tem que melhorar. E a expectativa é de que os próximos anos tragam uma enorme evolução ao esporte. Segundo a atleta, a modalidade passa por uma estruturação que deve melhorar o calendário e o nível do esporte, o que poderá, num futuro breve, colocá-la em condições na disputa com as melhores do mundo. "No Brasil, temos poucas mulheres competindo no paraciclismo e não temos ranking. O acesso é mais difícil do que a esportes como natação, atletismo, por depender de um equipamento, no meu caso a 'handcycle' (ou handbike), uma bicicleta com custo alto e que, por enquanto, não temos nenhuma dessas, competitiva, produzida no Brasil. Mas tudo isso está melhorando, e o número de competições vem aumentando, o nível dos atletas também", conta.
O ano de 2014 ainda não terminou para a paraciclista que integra a seleção brasileira desde 2011. No final de novembro, ela participa da última etapa da Copa Brasil. No ano que vem o foco está voltado para o Parapan-Americano de Toronto, no Canadá, onde ela pretende buscar o título. "Minhas chances são grandes e estou disposta a tudo para conquistar isto pela primeira vez para o Brasil", diz.
E assim vai, um passo de cada vez, no ciclo que ela pretende fechar com chave de ouro no Rio de Janeiro, em 2016, onde ela buscará ser a primeira brasileira a participar de uma prova do paraciclismo em paralimpíada. "Os treinos ficam mais intensos a cada dia e a participação nas competições oficiais da UCI são importantíssimas para conquistar pontos e assim termos a vaga garantida em 2016, o meu grande objetivo".

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