LUIZ GERALDO MAZZA
Dilma e Garrastazu
A observação da presidente Dilma Rousseff de que mais vale saber como estão sendo educadas as nossas crianças do que o registro do PIB daria um curioso trocadilho: a situação do ''pibe'', a criança, é mais relevante do que o Produto Interno Bruto. Quando o país, sob Medici, a fase mais dura das ações repressivas, alcançava índices chineses de até mais de 10% ao ano, numa dessas celebrações, o presidente montou a frase ''mais do que o Produto Nacional Bruto urge a busca da Felicidade Nacional Bruta''.
Todas as previsões, de várias instituições, são coincidentes: o PIB não ultrapassará 2%, ainda que a CNI admita 2,1%. A comparação dos dois têm objetivo semelhante: o de olhar com cuidados as referências estatísticas, no primeiro caso, mesmo com números positivos, acentuar que falta muito para a proclamada Felicidade Nacional Bruta já que as abstrações macroeconômicas se tornam insuficientes para que a aspiração de bem-estar alcance todos.
Da mesma forma que o dado superior pode ser questionado, por faltar-lhe abrangência, também o inferior, gestado em grande parte pela crise mundial e os sinais internos de pré-recessão, pode servir de alavanca para a reversão como Leonardo Boff falava da crise como indicador da esperança, referindo-se ao crisol que transforma os metais.
Educação negativa
O que se faz em educação, que é a arma democrática pela escola pública, maior invenção do homem para a democracia, é muito precário no Brasil para se colocar em destaque, bastando para tanto ver os nossos sistemas de avaliação em confronto com os internacionais. Sabemos que a Coréia do Sul deu um salto tecnológico com investimentos pesados em educação e ciência.
O fato é que dos integrantes dos Brics, o Brasil é o que está com o pior dos desempenhos em qualquer dos itens que se investigue e as perspectivas de uma superação de curto prazo são sombrias.
Pibinho, obsessão
O raciocínio da presidente Dilma é voltado para mostrar que as categorias do humano e do sensível são mais impactantes do que os números do PIB mormente quando são efetivamente escassas as possibilidades de alavancá-lo. E essa visão que passa a ser intrinsecamente negativa atinge o universo pessoal e a cada reflexão, quanto mais nos aprofundamos na temática, uma clara sensação de impotência nos conduz ao beco sem saída.
Como sabemos que o PIB, ainda que o segundo semestre possa surpreender, deve ser mesmo minimalista a única forma de agir estará numa estratégia que faça desse dado um fator não de perplexidade, de espanto, mas de diretriz para o governo. Ao menos pode-se concluir que não há espaço para o triunfalismo, de que desfrutávamos de forma irresponsável em tempos recentes.





