Acuado como nunca
De um lado, os professores e agora servidores de outras categorias; de outro, o Mauro Ricardo Costa com suas exigências de cortes radicais e no meio Beto Richa e sua perplexidade. A culpa não é dele, segundo sua versão, mas da crise gerada pelo governo federal. É ele que há tempos gasta mais do que arrecada e infringe a Lei de Responsabilidade Fiscal com dispêndios de pessoal e tanto que agora oprime a massa a um penoso sacrifício de aumento de 3,4% em suaves prestações e promessa de fechar a conta na data base de janeiro 2016 com os hoje sonegados 8,17%. Uma jogada de malandro de parque igual à aplicada na Paranaprevidência, dois casos de espoliação, um de direitos mediatos, do futuro, outro de imediatos e de sobrevivência de agora.
Capital político degradado, corre o risco de não postular a renovação de 1/3 do Senado em função dos últimos desastres, dos quais o que vai ser mais lembrado, ainda hoje em alegoria cívica, do massacre celebrando um mês. Não terá condições, ao menos nas atuais circunstâncias, de exercer o seu papel obrigatório de líder maior do PSDB nas eleições municipais, até porque nas últimas, com toda euforia do momento, se deu muito mal, especialmente, nos maiores colégios eleitorais de Curitiba e Londrina.
E, a curtíssimo prazo, tem a resistência ao aumento proposto (os barnabés olham o secretário da Fazenda como se fosse a encarnação do Doutor Stranglove, aquele do Stanley Kubrick) e uma possível batalha legislativa, sem falar na das ruas, com uma expectativa bem negativa, já que o intento dos grevistas é fazer marcação homem a homem em deputados e respectivos estafes, sem falar na pressão domiciliar. O casamento do deputado Tiago Amaral é um exemplo de ações mais radicais que possam ser tomadas e que negam perspectiva de fair play.
No lado oficial reconhece-se que o reajuste, como foi concebido, é a primeira reação forte e supostamente estribada em fundamentos fiscais, bem menos penosa do que a ideia sempre afastada de não pagar os dias parados, nutriente fabuloso da greve. No momento em que houver isso, esvazia-se o movimento e a base se volta contra a direção sindical em busca de explicações.

Autonomia
O Tribunal de Justiça, ao conceder o aumento integral da inflação acumulada aos seus trabalhadores, levou em conta que tem orçamento para tanto (aliás o governador aumentou exponencialmente a cota de cada poder, incluindo Tribunal de Contas), o que não se dá com o Executivo. E é bem possível que ainda haja a complementação em janeiro, aumentando o desequilíbrio. Vai faltar uma ação unívoca no ajuste fiscal, indispensável para arrumar o quadro e marcar um estilo de comportamento. A distonia é perniciosa.

Pânico
Nas redes sociais o pânico em torno do roubo de crianças e o detalhamento das situações gera a máxima ansiedade.

MST
Invasão do Incra (isso é menos novidade do que a greve professoral) olhada como consequência do apelo de Lula aos seus ''exércitos''. Mas é rotina e busca de resposta ao abandono de assentamentos, agravada com a crise que alcança o governo na via fiscal. Com os desdobramentos possíveis da Lava Jato, o lulopetismo fica sem muitas alternativas e que se agravarão com situações como a do BNDES obrigado, judicialmente, a revelar suas contas.

Tacada
Gol do governo na greve ao publicar na internet salários dos professores: em algumas cidades ganham do prefeito e do gerente do Banco do Brasil. Em guerra é assim mesmo. Mas quem deu essa força aos mestres foi Beto Richa.

Folclore
Professorado está determinado a repetir com Beto Richa o que fez com Alvaro Dias em 1988 por causa das bombas. Tanto que hoje haverá a comemoração de um mês do massacre do Centro Cívico. Contra Alvaro tudo funcionou até um certo tempo, e agora deve ser muito pior porque comparar o ocorrido do mês passado com o de 1988 é como confrontar a guerra mundial com uma briga de esquina.

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