Jogos para celular podem ser simples mas viciantes
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domingo, 09 de fevereiro de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Um pássaro em gráficos de oito bits precisa passar ileso por um cenário cheio de canos. O jogador controla a altura do voo com toques na tela do celular. Uma única esbarrada é mortal uma vez que o pássaro encosta em um dos canos do cenário, o jogo termina e recomeça do zero, independentemente da pontuação conquistada. Simples assim.
Esta é a receita do jogo que virou sucesso do dia para a noite, criado em menos de três dias, o Flappy Bird. A loucura em torno do jogo foi tamanha que levou o seu criador a desistir do app e abrir mão de uma fortuna de US$ 50 mil por dia. Este é o valor que o game conseguia com anúncios publicitários. Segundo rumores, Dong Nguyen, de 29 anos, não suportou o assédio da imprensa e dos jogadores. Pior: considerou seu próprio jogo viciante demais. Por estes motivos, no último dia 9, a pedido do próprio Nguyen, o jogo foi retirado das app stores. Flappy Bird seguia em primeiro lugar na Google Play (Android) e na App Store (iOS).
Por mais que Nguyen tenha ficado descontente com a repercussão do jogo, alcançar sucesso como este é o sonho de qualquer desenvolvedor. Mas o que faz um game de jogabilidade e gráficos simples Flappy Bird chegou a ser acusado de copiar o visual e o cenário de Mario Bros virar uma febre?
Desafiador é a palavra que define um jogo de sucesso, na opinião do professor de curso de Desenvolvimento de Jogos da Microcamp, Alisson Fernando Rocha Trindade. "A pessoa está jogando e de repente acontece algo inesperado que faz ela querer voltar e começar tudo de novo." "E não importa se os gráficos não são dos melhores", diz Gabriel Rodrigues da Silva, estudante do curso.
Os jogos mais desafiadores estão naqueles de objetivos mais simples, como passar por obstáculos ou derrubar pilhas de objetos. A competição com outros amigos é também o que move as jogadas. "E depois da vitória, vem a sensação de recompensa, conquista, orgulho", enumera Trindade.
Para o professor do curso de Análise de Sistemas de Unopar Luciano Soller, jogos que geralmente viciam são, à primeira vista, fáceis de jogar. "Mas apresentam uma certa dificuldade. Não é tão fácil assim quanto a pessoa imagina." Por isso, desafia o jogador a conseguir mais pontos até alcançar o recorde do colega. Exemplos são, além de Flappy Birds, Angry Birds, Candy Crush Saga, Plants Vs Zombies, Temple Run.
O estudante Alisson Fabrício Gonçalves de Lima Francisco foi por muito tempo viciado em Angry Birds Star Wars. "O que mais me impressiona é o jogo de física e a simplicidade", justifica. Já na opinião de Micael Maciel Machado, de 15 anos, fã de jogos de RPG, tentar ficar bom em um jogo para depois partir para outro é o que leva a insistir em um game. Jogos de montar e administrar cidades, na visão de Adilson Guilherme do Prado Cadena, 22 anos, podem ser igualmente viciantes. O motivo é "a sensação de poder."

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