Faltam políticas para redução de mortes entre jovens negros
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sábado, 15 de novembro de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - O homicídio de adolescentes e jovens no Brasil tem cor. Segundo estudo divulgado em 2012 pelo Mapa da Violência, tomando como base os registros de mortalidade do Ministério da Saúde, 77% dos assassinatos registrados na faixa etária de 15 a 29 anos tiveram como vítimas negros e pardos. Conforme o mesmo levantamento, em Londrina a taxa de homicídios por 100 mil habitantes na população jovem em 2010 foi de 100 entre os negros e pardos e 48,4 entre os brancos.
É uma realidade que não mudou nos últimos anos. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 2) na cidade fez um estudo com os adolescentes de 12 a 18 anos atendidos na unidade em 2013 e 2014. Os dados mostraram que 47 adolescentes em situação de vulnerabilidade social foram assassinados, sendo que 36 eram negros e pardos. Aproveitando a Semana da Consciência Negra, a Câmara Municipal e o Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo do Ministério Público (GT Racismo) trouxeram o tema a público ontem pela manhã, em audiência realizada no plenário do Legislativo londrinense para discutir o genocídio de jovens negros no País.
Além do promotor de Saúde Pública, Paulo Tavares, e da juíza da 2ª Vara da Infância e Juventude, Cláudia Catafesta, estiveram presentes a assessora técnica da Secretaria de Política de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal, Dalila Fernandes de Negreiros, e a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Sonia Fernandes, além da vereadora Elza Correia e de representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial.
"O governo federal assume que tem um problema da violência relacionado à questão racial. A população negra é mais vulnerável à violência urbana, especialmente os jovens de 15 a 29 anos. E é em virtude desse reconhecimento que estão sendo pensadas e executadas políticas públicas para redução da vitimização e vulnerabilidade dos jovens negros", afirmou Dalila Negreiros, que atua diretamente no setor de Políticas Afirmativas.
Ela destacou como principal iniciativa da Seppir o lançamento em 2012 do Plano Juventude Viva, que funciona em parceria entre os estados e os municípios e visa a redução da vulnerabilidade de jovens negros. "É feito um termo de adesão e o governo federal faz esse pacto com o estados e municípios, em que é formado um grupo de trabalho que vai às localidades tentar definir e identificar os indicadores prioritários para acompanhamento desses jovens", pontuou.
Além do racismo, a política de combate ao tráfico de drogas e a glamourização de personagens ligados ao mundo do crime foram citados pela assessora do governo federal como possíveis razões que explicariam a explosão da alta taxa de homicídios na população negra. Para Dalila Negreiros, a diminuição dessa realidade também passa por uma revisão nos conceitos aplicados às políticas de segurança pública. "Você promove a segurança com toque de recolher, com a Lei Seca? Tem políticas que diminuem os índices de violências, mas não necessariamente garantem direitos. É necessário um debate sobre qual a política de segurança pública que a população deseja e que tipo de benefício e malefício esse tipo de política pode trazer", observou.


