Dor crônica afeta entre 15% e 40% dos brasileiros
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Alana Gandra<br>Agência Brasil 
Rio de Janeiro - O percentual médio de pessoas afetadas por algum tipo de dor crônica no Brasil varia de estado para estado e pode ser de 15% a 40% da população. Estudos disponíveis revelam que em São Luís (MA), por exemplo, o índice de queixas de dores crônicas chega a 47%, enquanto em Salvador (BA), chega a 41% e em São Paulo, fica entre 30% e 40%. Entre a população mundial, de 20% a 30% sofrem com essas dores.
A informação foi dada à Agência Brasil pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos para a Dor (SBED), Durval Campos Kraychete, que também coordena o Ambulatório da Dor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Segundo ele, dependendo do tipo de política governamental de saúde, esses números podem aumentar ou diminuir. "Se você (adota) medidas preventivas para a dor, a tendência é diminuir. Mas se a dor continuar subestimada, em termos de avaliação e de diagnóstico, e subtratada, a tendência é aumentar".
Kraychete disse que a média de tempo que um paciente com dor leva até procurar um ambulatório ou serviço especializado é de oito anos. "Aí, já estão bem comprometidos do ponto de vista da doença, muitas vezes com incapacidade".
O especialista defendeu a adoção de uma política de educação continuada, não só para a população, mas também para os profissionais de saúde, de modo a permitir abordagens e diagnóstico corretos da dor. Ele lamentou que poucas universidades do país tenham o estudo da dor nos currículos médicos. "Ou de qualquer profissional, já que a abordagem da dor crônica é multidisciplinar". Segundo ele, isso deveria valer tanto para medicina, quanto para a odontologia, a enfermagem, a fisioterapia e outras especialidades. "O desconhecimento começa, muitas vezes, no diagnóstico incorreto".
Qualidade de vida
Qualidade de vida é a receita para que as pessoas possam se prevenir e evitar as dores crônicas. O alerta foi dado pela neurologista Norma Fleming, responsável pelo Laboratório de Cefaleia da Clínica da Dor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A recomendação é que as pessoas não tenham sobrepeso para não sobrecarregar as articulações e aumentar a possibilidade de ter artrose, dor articular, dor lombar. "Se você mantém o seu peso adequado, se mantém atividade física, boa alimentação, pode evitar a dor crônica".
Norma explica que o paciente com dor crônica é diferente daquele que apresenta dor aguda. Segundo ela, a dor aguda é um fenômeno importante para o corpo humano, "porque é um sinal de alarme para nos manter vivos" As dores agudas podem resultar de fraturas e de um infarto do miocárdio, por exemplo.
"Já a dor crônica é aquela em que ela passa a ser a doença. Ela não é sintoma de infarto, é a perpetuação de um estímulo e perde a função de alarme. É um fenômeno complexo, porque gera alteração emocional e cognitiva". Isso significa que o problema do paciente de dor crônica não se resolve com analgésicos comuns.
Segundo Norma, o paciente necessita ser tratado por uma equipe multidisciplinar, que inclua fisioterapeutas e médicos da dor - que vão usar medicamentos que atuam no sistema nervoso central, como antidepressivos e anticonvulsivantes, que aliviem a dor - além de psiquiatras e psicólogos para tratar a parte emocional.
De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor (Iasp), uma melhora de 40% no nível de dor crônica já é considerada uma grande melhora. "Em muitos casos, a gente não consegue tirar a dor, mas consegue causar alívio, sim". A unidade do hospital Pedro Ernesto foi a primeira clínica multidisciplinar do Brasil para o tratamento de dores crônicas.
Os tipos mais comuns de dor crônica são as lombalgias, cefaleias e dores neuropáticas. No momento, o ambulatório de cefaleia da Clínica estuda as dores de cabeça em pacientes idosos. De modo geral, a dor da artrose é mais comum nos idosos do que nos jovens, à exceção de pessoas jovens que pratiquem esportes de alta performance, como atletismo. Em compensação, as enxaquecas (dores de cabeça contínuas e persistentes) costumam acometer os jovens na faixa dos 20 aos 40 anos, "quando começa a cair a atividade produtiva".
Norma disse que nessa mesma faixa se inserem as lombalgias, em especial entre os 30 e os 50 anos. "Essas dores que são altamente incapacitantes, se não forem tratadas adequadamente, pegam as pessoas em plena fase produtiva."


