Cuidados com a dengue mesmo no inverno
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de julho de 2012
Vítor Ogawa <br> Reportagem Local 
Com a queda da temperatura muitas pessoas deixam de tomar algumas precauções para evitar a proliferação do mosquito Aedes aegypt, transmissor da dengue. Foi o que aconteceu com a dona de casa Filomena Moraes da Silva, moradora do Jardim do Sol (Zona Oeste), que confidenciou à reportagem que há dois meses não verificava a sua casa em busca de qualquer foco de água parada. Ela justificou que não possui vasos que acumulam água e que o único animal doméstico que possui é uma calopsita, cuja água é trocada diariamente.
No entanto, Filomena deveria ter motivos para se preocupar, já que há seis meses contraiu a dengue. ''Não foi uma dengue hemorrágica, mas na época senti muito frio e muita dor no corpo e minha pele ficou inchada, escura e toda vermelha'', relatou. Ela atribuiu o seu contágio a um terreno que na época estava abandonado e que provavelmente deveria ter criadouros do mosquito. A dona de casa confessou que seu desejo era de queimar tudo o que acumulasse água para não ter mais trabalho de ficar fiscalizando o tempo todo.
Assim como Filomena, muitas pessoas possuem esse mesmo desejo, de atear fogo em tudo para não ter trabalho de ficar o todo tempo fiscalizando os locais que acumulam água. Trata-se de uma rotina que por vezes cansa, mas esse trabalho de fiscalizar o tempo todo deve ser realizado periodicamente, seja no verão ou no inverno, pois o ciclo de vida do Aedes aegypt continua, independentemente das oscilações da temperatura.
Segundo o coordenador do setor de Endemias da Vigilância Sanitária de Londrina, Elson Belisário, se no verão o ciclo de transformação de ovo a mosquito leva de oito a 12 dias, no inverno ele leva cerca de 60 dias para se tornar um mosquito adulto. ''Leva mais tempo, mas ele continua acontecendo. Além disso, o inverno londrinense não é tão rigoroso assim, pois com uma temperatura acima de 15ºC é suficiente para o mosquito continuar se reproduzindo'', alertou.
E se há algo que esses mosquitos fazem com facilidade é se reproduzir. Belisário explica que uma fêmea do mosquito é capaz de por 700 ovos durante o seu ciclo de vida, que dura 45 dias. Se metade desses ovos se tornar macho e a outra metade se tornar fêmea e cada uma dessas fêmeas conseguir por outros 700 ovos em seu ciclo de vida, serão mais 245 mil mosquitos na vizinhança em 90 dias. E se metade desses 245 mil mosquitos puserem 700 ovos cada, em 135 dias a região terá 85,75 milhões de mosquitos. Belisário explica que o cálculo feito é de que 70% dos ovos chegam à fase adulta no verão e no inverno esse índice é de 30%.
Atualmente Londrina possui 54 casos confirmados de dengue, 13 deles importados. A Zona Oeste é a que mais possui mais ocorrências com 18 casos. No ano passado, nesta mesma época do ano, Londrina registrou 7.379 casos de dengue, 47 delas eram hemorrágicas ou com complicações e quatro pessoas haviam morrido.
Belisário afirma que mesmo com a diminuição de casos em relação ao ano passado as pessoas não podem se descuidar. Ele relatou que no inverno há um certo relaxamento da população. E constatou que a cada 140 casos de localização de focos de mosquito, seis casos são em vasilhas de água para animais domésticos. ''Atualmente temos 195 profissionais visitando as casas e fiscalizando locais como os fundos de vale. Realizamos entre 60 mil e 70 mil visitas por mês, mas as pessoas devem contribuir fazendo a sua parte'', orientou.


