Todos os dias pela manhã a cena se repetia.
Munida de uma xícara de café quentinho, acompanhava o esposo até o portão, e após abençoá-lo e abraçá-lo, ficava acenando até ele desaparecer ao longo da estrada de chão batido a caminho do trabalho.
Apreciava aquele café doce e saboroso e posteriormente entrava para a humilde casinha de madeira para cuidar de seus afazeres.
O tempo foi passando, vieram os filhos e a vida seguia prazerosa como aquela xícara de café matinal.
Os filhos cresceram, se casaram e foram constituir família em outras bandas.
Sua rotina continuava a mesma, apreciava seu café quentinho e saboroso no portão da casa, mas perdera um pouco a doçura, afinal, sentia muitas saudades dos filhos.
O esposo, idoso, estava acamado e perdendo a batalha contra a doença que aparecera repentinamente.
Ela dedicava-se diuturnamente aos serviços da casa e aos cuidados com seu amor, nunca deixando transparecer a dor e o sofrimento que carregava dentro do seu coração, por vê-lo nessa situação.
Continuava apreciando o café no portão, mas percebeu que sua doçura já não era a mesma.
Agora, o asfalto e a modernidade chegaram ao bairro, e as casas da vizinhança são suntuosas com carros modernos na garagem.
Sua casinha de madeira continua como há cinquenta anos, e ela costumeiramente vem ao portão tomar sua xícara de café matinal.
O esposo se foi!
Ela, além da solidão, ainda tem que conviver com as marcas do tempo e as dores em seu corpo surrado.
Diariamente no portão, com a xícara de café quentinho nas mãos, acompanha o movimento dos carros e das pessoas que caminham pela rua, mas não consegue mais encontrar doçura alguma.
O café ficou amargo!
Alcir Antonio Chiari, engenheiro agrônomo em Londrina

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